Milhares de motociclistas e entusiastas ocuparam as ruas de pedra da Cidade Eterna em um encontro que misturou nostalgia e celebração, com Vespas de oito décadas brilhando sob o sol romano.
O evento trouxe visitantes da Europa continental, do norte da Inglaterra, de São Francisco, da Gold Coast da Austrália, das Filipinas e de outros lugares, mostrando a força global da marca.
O som característico dos motores ecoou ao redor do Coliseu e pelo Fórum Romano, em um dia em que clássicos do cinema e botas de couro dividiram espaço com capacetes de edição limitada.
conforme informação divulgada pela AP
Desfile, imagens e atmosfera
Mais de 10 mil vespas, com seu característico som de motor, circularam com seu característico som de motor ao redor do Coliseu e pelo Fórum Romano no sábado (27), marcando o 80º aniversário da icônica scooter, segundo relato da AP.
O estacionamento do lado de fora do Estádio dos Mármores tinha fileiras e mais fileiras de Vespas de todos os modelos das últimas oito décadas, com detalhes que iam de flores a bichos de pelúcia.
Muitos visitantes usaram camisetas combinando, trocaram adesivos, e alguns até trocaram bandeiras de clube com italianos, dando ao evento um tom festivo e comunitário.
O apelo cultural e as citações dos fãs
Para alguns participantes, a Vespa representa um estilo de vida. Natalie Dunand, aposentada da França, resumiu a sensação em uma frase, “A paixão pela Vespa é pelo estilo italiano, pela liberdade, pelos anos 60”, ela disse, celebrando também seu aniversário de 61 anos.
Outros participantes destacaram a praticidade e a leveza do veículo, com Andrew Walton, motorista de caminhão de 59 anos, afirmando, “Você sobe, gira e vai. Moleza. Fácil”, ao descrever por que trocou motos maiores por uma Vespa.
Havia ainda colecionadores e comerciantes, como Burke Sandman, que contou ter vendido cerca de 1.000 Vespas nos EUA desde que começou no negócio, e afirmou, “Ninguém nunca diz nada de ruim sobre uma Vespa. Sabe, é uma loucura”.
História, design e inovação
A Vespa nasceu no pós-guerra, quando a Piaggio, com fábrica destruída por bombardeios, mudou sua produção e começou a fabricar scooters em massa, contribuindo para a mobilidade e a economia da Itália.
O design visava também uma nova clientela, com atenção especial às mulheres, pois podiam pilotar usando saias longas sem mostrar as pernas, o que se refletiu nas linhas da scooter.
Sobre a estética, Davide Zanolini, vice-presidente executivo de marketing da Piaggio, destacou, “A forma, a elegância. Essa atitude muito charmosa da Vespa é muito mais de uma mulher do que de um homem”, segundo reportagem da AP.
Desde sua consagração no cinema, com “A Princesa e o Plebeu” em 1953, até aparições em filmes como “O Talentoso Mr. Ripley” e na animação “Luca”, a Vespa virou sinônimo de estilo italiano e de uma época.
Legado, vendas e presença global
A marca mantém relevância mundial, com a empresa já tendo vendido cerca de 20 milhões de Vespas em todo o mundo desde 1946, e com atuação em 110 países, disse Zanolini à AP.
Apesar disso, a Vespa segue sendo um produto de nicho em mercados como os Estados Unidos, onde é mais popular em estados como Flórida e Califórnia, segundo a matéria.
O evento em Roma evocou imagens de piqueniques, viagens à beira-mar e até expedições inusitadas, como a de Soren Nielsen, que chegou ao Círculo Polar Ártico em uma Vespa em 1963, mostrando a versatilidade e o alcance simbólico do modelo.
Relatos do passado também ressaltam o impacto sonoro das scooters, com um artigo da AP de 1950 afirmando, “Provavelmente não existe uma scooter mais barulhenta em todo o mundo”.
Naquele mesmo relatório histórico, a AP dizia ainda, “Diz-se que as scooters que cruzam ruidosamente por Roma impressionam os americanos fascinados por motores tanto quanto a Basílica de São Pedro ou o Coliseu.”
O encontro de 80 anos em Roma funcionou como uma celebração a essa história e como um lembrete da capacidade da Vespa de conectar gerações, estilos e países, mantendo viva a imagem de um ícone de duas rodas.