O aumento do preço dos combustíveis está entre os principais motivos que levam brasileiros a considerar a compra de um carro elétrico, segundo levantamento recente.
Entre os motoristas que cogitam migrar para a eletrificação, a possibilidade de economizar com combustível por quilômetro rodado ou no longo prazo aparece como atrativo central.
Dados mostram também que a simpatia pelo veículo esbarra no custo de aquisição, e o tema ganhou destaque com medidas do governo para conter a alta da gasolina, conforme informação divulgada pelo Instituto Locomotiva.
Economia de combustível é a principal motivação
Para quem pensa em comprar um carro elétrico, a economia com combustível é um fator decisivo, com 78% dos entrevistados apontando essa vantagem como atrativo.
O levantamento mostra que, no total de motoristas consultados, 87% considerariam comprar um veículo elétrico, sendo 50% que afirmam que “certamente” comprariam e 37% que dizem que “provavelmente” fariam a aquisição.
O tema ganhou relevância quando o governo anunciou medidas que incluem a redução a zero dos tributos federais sobre a gasolina por 30 dias, com custo estimado em R$ 5,2 bilhões por mês, em meio à pressão sobre os preços do petróleo provocada por conflitos no Oriente Médio.
Sustentabilidade, tecnologia e recomendações de conhecidos
Além da economia com combustível, outros fatores pesam na escolha por um carro elétrico. A sustentabilidade foi citada por 61% dos entrevistados que consideram a compra, a tecnologia mais avançada por 56% e o maior conforto por 51%.
A experiência de amigos e conhecidos também influencia a percepção, com 69% dizendo conhecer alguém que possui um elétrico, e entre esses, 92% afirmam que essas pessoas falam bem dos veículos.
Quando a economia compensa o investimento e quando não compensa
Ao avaliar os custos ao longo do tempo, 76% dos entrevistados entendem que, mesmo com preço de compra maior, a economia posterior compensa o investimento em um carro elétrico. Já 24% discordam e consideram que a redução do gasto com combustível não justificaria o valor gasto na aquisição.
Os fatores externos também reforçam o interesse, com 84% afirmando que a alta do petróleo torna os carros elétricos mais atrativos. No fechamento de quinta-feira (8), os barris Brent e WTI ficaram cotados a US$ 104,13 e US$ 91,35, respectivamente, o que contribui para a percepção de vantagem econômica dos elétricos.
Barreiras de preço e o desafio de transformar intenção em compra
O principal obstáculo para converter a intenção em venda é o preço de aquisição. Para 84% dos entrevistados, se os carros elétricos fossem mais baratos, aumentaria a chance de compra.
Entre os motoristas que já têm carros elétricos ou híbridos, a intenção de compra de outro veículo elétrico é ainda maior: 98% considerariam adquirir outro, sendo 85% que afirmam que certamente fariam isso e 13% que dizem que provavelmente comprariam novamente.
Sobre a transformação da disposição em compra, Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, afirmou que, “O ponto de tensão está em transformar essa disposição em compra: enquanto o preço de entrada continuar alto, parte desse interesse não vira acesso. O próximo passo da eletrificação é aproximar o custo de compra da economia que o consumidor já percebe no uso, além de facilitar as opções de recarga”.
O que precisa mudar para acelerar a adoção
Para que mais consumidores efetivamente comprem um carro elétrico, a redução do preço de compra é apontada como essencial, assim como políticas que facilitem o acesso ao veículo e à recarga.
Medidas temporárias no preço dos combustíveis podem amenizar a pressão, mas especialistas e consumidores veem como necessário aproximar o custo de aquisição da economia percebida no uso, e ampliar infraestrutura de recarga para tornar a escolha mais prática no dia a dia.