A nova CNH tornou o processo menos burocrático e mais barato, com mudanças que afetam curso teórico, aulas práticas, exames e renovação automática.
O impacto é financeiro e operacional, com redução de prazos e aumento no número de solicitações e de novos habilitados em todo o país.
Os dados são detalhados em levantamento do Ministério dos Transportes, conforme informação divulgada pelo g1.
Economia detalhada, o que foi reduzido e quanto foi poupado
Segundo o Ministério dos Transportes, a medida gerou uma economia de R$ 9,64 bilhões até agosto deste ano, com cortes e reduções em etapas distintas da emissão da primeira CNH e na renovação.
O ministério dividiu a economia por tipo de despesa, mostrando onde o corte foi mais significativo, entre curso teórico, formação prática, deslocamentos, renovação automática e exames.
Os valores informados são, na íntegra, Curso teórico, agora gratuito: R$ 2,94 bilhões, Formação prática: R$ 4,57 bilhões, Deslocamentos evitados: R$ 278,7 milhões, Renovação automática (para motoristas com selo de bom condutor): R$ 1,44 bilhão, Exames médico e psicológico: R$ 414,6 milhões.
Mais habilitados e mais solicitações, como a nova CNH influenciou o volume
O número de pessoas que obtiveram a habilitação cresceu 17,1% no período analisado. Entre janeiro e agosto de 2026, foram registrados 2.003.112 novos motoristas, ante 1.710.473 no mesmo intervalo de 2025.
Também houve um salto nas solicitações pela primeira vez, com aumento de 216%, passando de 2.314.754 pedidos entre janeiro e agosto de 2025, para 7.315.625 no mesmo período de 2026.
O crescimento foi mais expressivo nas regiões Norte e Nordeste, com estados registrando variações muito acima da média nacional.
Estados com maiores aumentos, líderes no crescimento de habilitados e solicitações
Entre os estados com maiores aumentos no número de novos habilitados estão Paraíba, com aumento de 77%, Sergipe, 69,5%, Acre, 55,4%, Rio Grande do Norte, 55,1%, e Amapá, 54%.
Quanto às solicitações para a primeira CNH, as maiores altas foram: Amapá, 485,8%, Sergipe, 472,5%, Pernambuco, 468%, Maranhão, 443%, e Paraíba, 423,8%.
Mesmo com aumento em todos os estados, os menores crescimentos nas solicitações ocorreram em Minas Gerais, 154,9%, Tocantins, 138,5%, e Santa Catarina, 114%.
Redução de prazo e exemplos práticos de preço, o que muda para quem quer a nova CNH
O tempo médio para concluir a primeira CNH caiu 30%, de cerca de 210 dias para 147 dias, segundo o ministério, o que torna o processo mais rápido e previsível.
O curso teórico passou a ser opcional e pode ser oferecido gratuitamente pelo governo, inclusive de forma virtual, enquanto as aulas práticas continuam sendo oferecidas por autoescolas, com pacotes e variações por cidade.
Em busca feita em 10 cidades, o g1 encontrou valores a partir de R$ 380 para as categorias A ou B, em Santos, pacote que inclui duas aulas práticas e uso do veículo da autoescola nas aulas.
Em São Paulo, as taxas e exames locais apontam valores de exame teórico R$ 52,83, exame prático R$ 52,83, exame médico R$ 90, exame psicotécnico R$ 90, e emissão da versão física R$ 137,79, enquanto a versão digital é gratuita.
O preço médio nas cidades pesquisadas ficou em torno de R$ 500 por um pacote com duas aulas práticas, com opções maiores, por exemplo, cinco aulas por R$ 900, 10 aulas por R$ 1.300, e 20 aulas por R$ 1.900.
Na prática, a nova CNH alterou a relação custo-benefício para candidatos, com menos etapas pagas, possibilidade de curso gratuito, e benefícios para motoristas com bom histórico, por meio da renovação automática.