Reestruturação da Volkswagen barrada pelo conselho após oposição dos trabalhadores, plano de Oliver Blume rejeitado por 12 votos a 7 e risco de 100 mil cortes

PUBLICIDADE

Representantes dos trabalhadores da Volkswagen bloquearam uma ampla proposta de reestruturação apresentada pela diretoria, em um episódio que expõe as dificuldades do CEO Oliver Blume para reformular a maior montadora da Europa.

A proposta da direção, que visava tornar o grupo mais competitivo diante da concorrência chinesa e de custos comerciais, foi rejeitada pelo conselho de supervisão por 12 votos a 7.

As informações sobre a rejeição foram relatadas à imprensa e confirmam o impasse entre diretoria, sindicatos e autoridades, conforme informação divulgada pela Reuters.

O que estava na proposta de reestruturação

A diretoria, liderada por Oliver Blume, defendia medidas profundas para reduzir custos e simplificar o portfólio da empresa.

Fontes disseram que o plano incluía o corte de até 100 mil postos de trabalho e o possível fechamento de até quatro fábricas na Alemanha, medidas que geraram forte resistência dos representantes dos trabalhadores.

Entre as propostas públicas do chamado plano, havia metas para reduzir a capacidade global de produção de 10 milhões para 9 milhões de veículos por ano, além de cortar em até 50% o número de modelos oferecidos pelo grupo.

Votos, reações e posicionamento dos sindicatos

O conselho de supervisão rejeitou a proposta por 12 votos a 7, após forte oposição dos representantes dos trabalhadores, segundo as fontes ouvidas pela Reuters.

O IG Metall, maior sindicato industrial da Alemanha, organizou manifestações em unidades da Volkswagen e exigiu da empresa uma estratégia clara para garantir a produção no futuro.

O conselho de trabalhadores pediu que a empresa esclarecesse, até o fim desta sexta-feira, seus planos de redução de custos, e advertiu que ampliaria protestos caso compromissos com segurança no emprego fossem revistos.

Avaliação de analistas e dados econômicos

Analistas consultados criticaram a falta de medidas concretas no pacote apresentado, e o documento divulgado pela Volkswagen após a reunião não mencionou cortes de empregos nem fechamento de fábricas.

Analistas do Jefferies afirmaram que, na visão deles, “não há indicação de progresso rumo a um acordo”. Analistas da Bernstein disseram que o plano está “repleto de ideais, mas muito pobre em medidas concretas”.

Além disso, a montadora anunciou queda de 8,6% nas entregas do segundo trimestre, a maior retração em quatro anos, em meio à fraqueza do mercado chinês e aos custos da eletrificação e tarifas, informações também reportadas pela Reuters.

Contexto político e próximos passos

A estrutura de governança da Volkswagen, que dá assentos ao Estado da Baixa Saxônia e aos representantes dos trabalhadores no conselho de supervisão, torna decisões profundas mais difíceis de aprovar.

Olaf Lies, primeiro-ministro do Estado da Baixa Saxônia, afirmou que “Todos os envolvidos têm consciência de que a Volkswagen e a indústria automobilística enfrentam um momento crítico em um ambiente de competição internacional cada vez mais desafiador”.

Fontes relataram que o governo estadual tentou mediar um compromisso e chegou a pensar em apresentar sua própria proposta, mas a ideia foi abandonada, segundo relatos à Reuters.

Com margens de lucro que caíram pela metade nos últimos cinco anos, e com pressão por reformas, a empresa e seus parceiros terão de negociar alternativas para a reestruturação da Volkswagen que equilibrem competitividade e proteção ao emprego, sem avanços imediatos confirmados após a votação no conselho.

Mais recentes

PUBLICIDADE