Clément Vandenkerckhove, jovem de 26 anos que trabalhava vendendo carros, foi oficialmente reconhecido como filho do príncipe Laurent da Bélgica, após um teste de DNA que indicou 99,5% de correspondência.
O reconhecimento foi realizado discretamente em uma cerimônia na prefeitura há seis meses, e só agora os detalhes vieram a público, trazendo à tona a história pessoal do rapaz e as implicações para a família real.
Clément já havia contado parte de sua trajetória em um documentário flamengo, descrevendo o encontro e a relação crescente com o príncipe antes do exame genético, conforme informação divulgada pelo Het Nieuwsblad e pela VTM.
Como se deu o reconhecimento e o teste de DNA
Segundo relatos, o jovem teve contato com o príncipe de forma informal, e apenas aos 16 anos soube pela mãe, a cantora Wendy Van Wanten, cujo nome verdadeiro é Iris Vandenkerckhove, quem seria seu pai.
Quatro anos depois, aos 20 anos, Clément telefonou para o príncipe Laurent e, após conversas, o encontro culminou na sugestão do exame genético por parte do príncipe.
Clément lembrou do momento, dizendo que foram juntos ao hospital, e que o príncipe afirmou ‘eu vou primeiro para que você fique tranquilo’, antes que o laboratório confirmasse a correspondência de DNA de 99,5%.
O novo status, sem sucessão e sem verba real
Apesar de passar a ser reconhecido formalmente como membro da família do príncipe Laurent, Clément não entrou na linha de sucessão ao trono belga, ao contrário de sua meia-irmã, a princesa Louise, e dos meio-irmãos, os príncipes Aymeric e Nicolas.
Além disso, ele não deverá participar de eventos públicos oficiais da realeza, e não receberá dotação da Casa Real, seguindo as regras que limitam o pagamento de verbas públicas a determinados membros da família.
Escolha do sobrenome e adaptação pública
Clément comentou que ainda não decidiu se adotará o sobrenome do pai, Saxe-Coburgo, afirmando ‘Talvez eu queira fazer isso, mas tenho orgulho do sobrenome Vandenkerckhove’.
O jovem já é conhecido do público belga por ter sido protagonista de um documentário, e agora terá de lidar com a mudança de status, mantendo, ao menos por enquanto, distância das atribuições oficiais da realeza.
Contexto na família real belga
O caso remete a uma situação anterior na família, envolvendo o ex-rei Alberto II, que também se submeteu a exame de paternidade após uma batalha judicial e acabou reconhecendo uma filha, Delphine Boël.
Em 2020, Alberto II admitiu a paternidade de Delphine, que hoje usa o nome Delphine de Saxe-Coburgo, e a disputa foi um fator que contribuiu para tensões na Casa Real, levando ao tema da paternidade a ganhar grande atenção pública.
As mudanças na legislação belga de 2013 estabeleceram critérios mais restritos para o pagamento de dotações públicas, limitando esses benefícios a poucos membros da família, como o rei Philippe, o ex-rei Alberto II, o príncipe Laurent e a princesa Astrid, o que explica a ausência de dotação para Clément.
Para Clément, a descoberta e o reconhecimento representam o fim de um capítulo pessoal, mas também o início de uma nova etapa marcada por escolhas sobre identidade, sobrenome e exposição pública, enquanto a Casa Real tenta acomodar o caso sem alterar a linha sucessória vigente.