Porsche 911 Turbo S é difícil de domar? Teste com 711 cv no VelloCitta e análise da tecnologia que ajuda e pode iludir motoristas

PUBLICIDADE

No Autódromo VelloCitta, teste com o Porsche 911 Turbo S, 711 cv e preço de R$ 2,1 milhões, para entender se o esportivo é indomável, quais tecnologias ajudam e quais riscos motoristas enfrentam

O Porsche 911 Turbo S impressiona pela força e pelo conjunto tecnológico, mas manchetes de acidentes levantaram dúvidas sobre sua controllabilidade nas ruas.

No autódromo Velocitta, a avaliação buscou responder se o carro exige perícia extrema ou se a eletrônica torna o carro mais acessível a motoristas comuns.

Todas as informações a seguir são apresentadas conforme informação divulgada pelo g1.

Herança, personalidade e evolução do 911

Desde 1948, quando lançou o modelo 356, a Porsche investiu na filosofia de desempenho, confiabilidade e previsibilidade. No caso do 911, lançado em 1963, o uso do motor no eixo traseiro sempre criou um desafio para a marca em relação ao equilíbrio do carro.

Ao longo da história do 911, algumas versões ficaram conhecidas por serem ariscas, como o 911 Turbo produzido entre 1975 e 1989, apelidado de Widowmaker, por ser difícil de pilotar.

A distribuição de peso, e a geometria da suspensão traseira nos 911 mais antigos, contribuíam para um comportamento mais arredio, favorável a pilotos experientes, e por isso a Porsche investiu desde os anos 1990 em tecnologia para tornar o 911 mais rápido, e ao mesmo tempo, mais fácil de controlar.

O que o teste no autódromo mostrou

No modo normal, o 911 Turbo S aparenta ser um sedã alemão mais baixo, com suspensão firme e presença significativa da potência, mas com comportamento do volante, acionamento do freio e índole geral dóceis.

Ao selecionar os modos esportivos, o carro muda de personalidade, e o conjunto empurra seus 1.640 kg na reta com força muito grande. Mesmo assim, a cada volta a confiança aumenta porque a eletrônica ajuda a equilibrar o carro.

No trecho com trechos de asfalto molhado e zebras úmidas do circuito, o 911 chegou a deslizar um pouco ao tocar essas áreas, e logo voltou ao trilho, graças à eletrônica e menos à habilidade do motorista, conforme observação feita durante o teste.

A lição prática do autódromo é clara, andar no limite de aderência, potência ou velocidade deve ficar restrito a pistas fechadas e com orientação profissional, e na rua é obrigatório obedecer limites de velocidade e do próprio carro.

Tecnologia que potencia e corrige, e números do conjunto mecânico

O novo Porsche 911 Turbo S passou a usar um sistema híbrido de alta performance, chamado T-Hybrid, e entrega 711 cv, 61 cv a mais que o antecessor. O motor boxer de seis cilindros de 3.6 litros trabalha em conjunto com o sistema elétrico de 400 volts.

Segundo a Porsche, o Turbo S usa dois turbocompressores elétricos, e a combinação permite gerar 28 kW, e a bateria de alta tensão tem 1,9 kWh. O motor elétrico integrado ao câmbio PDK de oito marchas entrega 82 cv e 18,3 kgfm de torque, contra 54 cv e 15,3 kgfm do sistema usado no Carrera GTS.

O ganho de potência se traduz em desempenho, com o Coupé fazendo 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, 0 a 200 km/h em 8,4 segundos, e velocidade máxima de 322 km/h. A Porsche afirma que, nos testes finais em Nürburgring, um 911 Turbo S camuflado completou uma volta em 7 minutos e 3 segundos e 920 milésimos, cerca de 14 segundos mais rápido que o antecessor.

O conjunto também evoluiu em pneus e freios, com pneus traseiros mais largos, medida 325/30 ZR 21, freios PCCB maiores com novos compostos, e um sistema ativo de aerodinâmica que reduz arrasto em 10% na configuração mais eficiente.

O modelo está disponível no Brasil nas versões Coupé por R$ 2,1 milhões, e Cabriolet por R$ 2,15 milhões, e a Porsche já vendeu no país 68 unidades da versão Coupé e 19 unidades da versão Cabriolet.

O que a tecnologia resolve e onde mora o risco

O conjunto eletrônico do 911, incluindo controle de tração integral Porsche Traction Management, o PDCC com barras estabilizadoras ativas, e o sistema de freios, torna o carro mais previsível, e permite que pilotos menos experientes controlem curvas de alta graças à correção automatizada.

No entanto, essa facilidade pode ser uma armadilha, porque motoristas podem subestimar os limites, e achar que a tecnologia faz milagres, especialmente em vias públicas, onde variáveis como asfalto molhado, tráfego e conduta de terceiros aumentam o risco.

Casos noticiados de acidentes envolvendo Porsches geraram debate nas redes sociais, e, conforme informação divulgada pelo g1, desde 2024, foram 16 casos com manchetes em grandes portais de notícias, sendo que metade deles só em 2016, números que alimentam a percepção de que o carro seria difícil de controlar, apesar da evolução técnica.

O veredito do teste no circuito é que o Porsche 911 Turbo S é um dos melhores esportivos já feitos, e que torna pessoas comuns mais seguras ao volante quando usado em pista, porém, em via pública, a combinação de alta potência e sensação de controle oferecida pela eletrônica exige responsabilidade e respeito às regras.

Em resumo, o carro não é indomável por natureza, ele tem personalidade forte e muita tecnologia para ajudar, e o verdadeiro risco está na tentativa humana de superar a máquina fora de ambiente controlado.

Mais recentes

PUBLICIDADE