O Brasil vai iniciar testes com o radar de velocidade média em oito estados a partir de setembro, em uma fase experimental que não prevê aplicação de multas.
O equipamento registra veículos em dois ou mais pontos e calcula a velocidade pelo tempo gasto para percorrer o trecho, e os locais terão de informar os usuários sobre a operação experimental.
Os primeiros 180 dias de ensaio podem ser ampliados, e a fiscalização terá caráter técnico e educativo, conforme informação divulgada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Como funciona o radar de velocidade média
O radar de velocidade média não mede só a velocidade em um ponto, ele registra o veículo em dois ou mais locais e determina o tempo gasto para percorrer a distância.
Com essas informações, “é calculada a velocidade média no trecho”, diz a Agência Nacional de Transportes Terrestres, ANTT.
Na prática, câmeras ou sensores identificam a passagem em pontos distintos, o sistema cruza os registros, faz a divisão do percurso pelo tempo e obtém a média no trecho monitorado.
Onde serão testados os radares
Os testes ocorrerão em trechos de rodovias federais concedidas em oito estados, com exemplos listados pela ANTT, incluídos no escopo do piloto.
Espírito Santo, trechos na BR-101/ES, Goiás, trechos na BR-414/GO, Mato Grosso do Sul, trechos na BR-163/MS, Minas Gerais, trechos na BR-050/MG, BR-381/MG, BR-040/MG e BR-116/MG, Paraná, trechos nas rodovias PR-444, PR-862, BR-376/PR, BR-163/PR, BR-277/PR e PR-151, Rio de Janeiro, trechos na BR-101/RJ incluindo a Ponte Rio-Niterói e BR-116/RJ, Rio Grande do Sul, trechos na BR-386/RS, e Santa Catarina, trechos na BR-101/SC.
Segundo a ANTT, o período de 180 dias poderá ser prorrogado, e o objetivo é avaliar a tecnologia para uso em rodovias federais concedidas.
Resultados e experiências anteriores
O sistema já vinha sendo testado por concessionárias. A Eco Rodovias aplica o equipamento em um trecho de 11 km na BR-050, em Uberaba, Minas Gerais, onde havia alto índice de mortes por acidentes.
De acordo com a concessionária, “o número de flagrantes caiu 22,5% na comparação entre 15 dias antes e 15 dias depois da realização de blitz educativa junto à Polícia Rodoviária Federal (PRF)”.
A concessionária também relatou que, em fases anteriores, “Antes disso, eles já emitiram 852 mil notificações em seis meses de testes em São Paulo (SP)”, e que o aviso teve caráter educativo, sem virar infração ou multa.
Sobre a operação em vias urbanas testadas, foi reportado que “A velocidade máxima da via, de 26 km, é de 50 km/h, mas só 3 km foram monitorados”, em referência ao trecho que mais gerou notificações em São Paulo.
O que muda durante e após os testes
Nesta fase inicial, a fiscalização terá caráter técnico e educativo, e não haverá aplicação de multas nem registro de infrações de trânsito com base apenas na velocidade média registrada.
Como lembra a própria ANTT, “O projeto-piloto tem caráter exclusivamente técnico, educativo e experimental. Nesta etapa, a velocidade média registrada no trecho não poderá, por si só, gerar autuação ou penalidade”.
Se os resultados forem favoráveis, a tecnologia poderá ser adotada de forma mais ampla nas rodovias federais concedidas, após análise técnica e possíveis ajustes nas regras de uso e comunicação aos usuários.