O preço do diesel voltou a subir nos postos brasileiros nesta semana, pressionado pela alta internacional do petróleo e por riscos à oferta global.
Consumidores e caminhoneiros já sentem impacto nas bombas, enquanto o governo e a Petrobras adotam medidas para tentar conter os efeitos no bolso do consumidor.
Os dados e as medidas citadas a seguir foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, e constam em comunicados da Petrobras e do governo federal, com informações da Reuters.
Alta medida pela ANP e fatores por trás do aumento
O preço médio do diesel S-10 nos postos do Brasil subiu 2,3% nesta semana em relação à anterior, para R$ 7,13 por litro, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgado nesta sexta-feira (18).
Esse é o maior valor desde o fim de maio. A alta ocorre em meio à disparada dos preços do petróleo e de seus derivados neste mês, com o mercado enfrentando novos riscos para a oferta mundial por causa dos desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia.
Reajuste da Petrobras e neutralização pelo subsídio
A Petrobras informou que aumentou em R$ 1 por litro o preço de venda do diesel A para as distribuidoras. Na prática, porém, o aumento não deve alterar o preço cobrado pela estatal, devido a um novo subsídio do governo federal no mesmo valor.
O benefício terá validade de 30 dias. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na semana passada uma medida provisória que autoriza uma subvenção de R$ 1 por litro para o diesel. O benefício se soma ao subsídio de R$ 1,12 por litro que já está em vigor e vale até 26 de setembro.
Assim, durante o período em que as duas medidas estiverem em vigor, o valor total da subvenção ao diesel chegará a R$ 2,12 por litro, segundo a Petrobras e o governo.
Recursos federais e destino dos subsídios
O governo federal publicou medida provisória que autoriza gastos de R$ 6,6 bilhões para manter subsídios à produção e importação de combustíveis, por conta da guerra entre Estados Unidos e Israel e Irã, que tem pressionado os preços.
A maior parte dos recursos (R$ 5,6 bilhões) irá para a subvenção à produção e importação de óleo diesel. Outro R$ 1 bilhão cita subsídios a combustíveis derivados de petróleo, incluindo a gasolina.
Segundo o governo, os recursos foram liberados por meio de crédito extraordinário, ou seja, estão fora dos limites de despesas do arcabouço fiscal, e a medida funciona como uma espécie de “cashback” para compensar a retomada da cobrança dos tributos federais sobre o diesel.
O que muda na bomba e no dia a dia
Na ponta, a combinação entre alta internacional e medidas de compensação pode reduzir a velocidade do repasse, mas não elimina totalmente a pressão sobre os preços ao consumidor.
Setores intensivos em diesel, como transporte de cargas e agricultura, tendem a sentir os efeitos com mais força, e a vigência limitada dos subsídios coloca atenção sobre os próximos 30 dias e o prazo até 26 de setembro para parte das medidas.
Fique atento às próximas divulgações da ANP e a comunicados oficiais da Petrobras e do governo para acompanhar prazos, valores e eventuais ajustes.