Carro de R$20 mil financiado vira dívida de R$64 mil, financiamento de carro explicado, como a entrada, o CET e o prazo podem salvar seu bolso

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Entenda, de forma prática, como o financiamento de carro, o valor da entrada e o Custo Efetivo Total podem transformar um automóvel barato em uma dívida muito maior, e o que checar antes de assinar

Comprar um carro seminovo pode parecer simples, mas detalhes da operação podem multiplicar o custo final.

Pequenas variações na entrada, na taxa anunciada e no Custo Efetivo Total, o CET, fazem grande diferença no bolso do consumidor.

As informações e simulações usadas neste texto são baseadas em levantamento e declarações citadas pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1.

Quanto a entrada altera o valor final do financiamento

Simulações citadas pela reportagem mostram que, no mesmo veículo de R$20 mil, o que muda significativamente é o montante dado como entrada.

Se o consumidor paga R$25 mil de entrada, que equivale a 50% em um cenário onde há acréscimos, ele pode pagar R$11,3 mil a menos em juros e ter uma parcela 44% menor do que quem dá R$5 mil de entrada, que corresponde a 10%.

Em números, o mesmo carro pode ter um custo total de R$75,4 mil ou de R$64,1 mil, a depender do valor pago na entrada, segundo as simulações apresentadas, portanto, a entrada reduz muito o custo do financiamento de carro.

O que é o Custo Efetivo Total e por que ele importa

O CET representa o valor real de um financiamento, ele reúne a taxa efetiva mensal de juros, a taxa dos juros por atrasos, o total de encargos previstos para o atraso no pagamento e o montante das prestações.

Uma diferença aparentemente pequena na taxa, segundo os dados trazidos à reportagem, também pesa muito, uma variação de 0,6 ponto percentual na taxa de juros mensal pode representar mais de R$7,6 mil de impacto no bolso do consumidor.

O CET deve ser apresentado em toda operação de crédito, e não apenas no financiamento de veículos, e a oferta precisa informar prazo de validade, com prazo mínimo indicado de dois dias, além dos dados do fornecedor, como nome, endereço físico e eletrônico.

O que o vendedor alega sobre a apresentação do CET

Ao ser questionado pelo g1, o vendedor Daniel Ribeiro afirmou que os clientes recebem o documento do banco, explicando, “Eu não vendo dinheiro, eu vendo o carro, O banco imprime a CET, que lá tem todos os encargos: IOF, taxa, seguro prestamista, inclusão de gravame [registro de que o veículo foi dado como garantia em caso de não pagamento], alienação fiduciária [que garante que o banco é proprietário do carro até que a dívida seja quitada], mais a taxa aplicada, a quantidade de vezes, E o cliente assina essa CET de forma digital”.

Ribeiro acrescentou que, nas negociações, envia o contrato junto ao carnê para que os clientes possam analisar, e que ele sempre mostra aos compradores a tela do computador durante a negociação, “Eu também costumo deixar claro qual é a taxa de juros que meu cliente está pagando, qual é a quantidade de vezes, e eu faço sempre a conta do valor final em todas as minhas negociações”.

Ele disse ainda, sobre sua prática comercial, “Eu vendo uma média de 150 carros no mês, Tem cliente que tem essa dor, que quer saber esse questionamento, tem cliente que só quer saber se foi aprovado o financiamento, tem cliente que só quer saber se a parcela cabe no orçamento dele”. Ribeiro resumiu sua postura assim, “Eu sou responsável por fazer a minha parte, A minha parte é esmiuçar isso, é trazer clareza para o cliente, Agora, se o cliente compreende, cabe a ele, Eu não sou professor deles, eu sou empresário, e cabe a mim trazer clareza e eu faço isso com toda certeza”.

15 cuidados essenciais antes de fechar um financiamento de carro

Além do valor da entrada e do CET, há pontos práticos que reduzem o risco de levar problemas para casa no seminovo, alguns exigem documentos, outros uma avaliação técnica.

  • Solicite o laudo cautelar para verificar origem do veículo e pendências.
  • Avalie pneus, bancos e volante, sinais de desgaste excessivo podem indicar adulteração.
  • Confira a originalidade de componentes, números de vidros, faróis e lanternas.
  • Verifique o funcionamento do ar-condicionado e dos vidros elétricos.
  • Faça um teste de condução sempre que possível.
  • Peça o histórico de revisões, o que foi trocado e onde o serviço foi feito.
  • Cheque a bateria, se for nova pergunte o motivo da troca.
  • Observe a carroceria, bordas e sinais de ferrugem ou pintura que masque imperfeições.
  • Avalie a pintura à luz do dia para identificar diferenças de tonalidade.
  • Cheque itens obrigatórios, como estepe, macaco e chave de roda.
  • Inspecione cintos de segurança, eles podem ter sido danificados em colisões anteriores.
  • Leve o carro a um mecânico de confiança antes de fechar o negócio, se possível.
  • Fique atento à garantia legal, em lojas de seminovos há garantia para vícios ocultos por três meses.
  • Confira o nível e a limpidez do óleo do motor.
  • Verifique borrachas de portas e vedações, umidade pode danificar o estofamento.

Tomando cuidado com a entrada, exigindo o CET e avaliando prazos e documentação, o consumidor reduz muito a chance de transformar um carro de R$20 mil em uma dívida de R$64 mil ou mais.

Antes de assinar, compare simulações, peça o documento oficial do CET e, quando houver dúvida, peça tempo para analisar a proposta e consultar um especialista ou a financeira, pois o entendimento completo da operação é essencial para não cair em um mau negócio.

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