Como instalar carregadores em condomínios com a chegada dos carros elétricos, custos, segurança, regras e quem paga pela energia nas garagens

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O crescimento da frota de carros elétricos força decisões em condomínios sobre infraestrutura elétrica, custos compartilhados, normas de segurança e regras para instalar carregadores na vaga

O avanço dos veículos elétricos já altera o dia a dia dos moradores de prédios e coloca o tema “carregadores em condomínios” no centro das assembleias.

Moradores se dividem entre quem quer carregar na própria vaga e quem teme impactos na estrutura, na conta de luz e na segurança, enquanto síndicos buscam soluções técnicas e legais.

Este texto explica as principais dúvidas sobre custos, normas e riscos práticos da instalação, com depoimentos e dados da reportagem, conforme informação divulgada pelo g1

Por que a instalação vira decisão coletiva

A vaga é de uso do morador, mas a rede que leva energia até ela pertence ao prédio, por isso a instalação de carregadores em condomínios não é só uma decisão individual, é uma decisão do coletivo.

Segundo o advogado especialista em condomínios Marcio Rachkorsky, “A estrutura todo mundo paga. Agora, a energia só paga quem vai usar“. Ele ressalta a necessidade de projeto, normas de bombeiro, aprovação em assembleia e arrecadação para custear a obra.

Em São Paulo, existe uma lei estadual que garante ao morador o direito de instalar um carregador na própria vaga, desde que sejam observadas regras de segurança, e o condomínio só pode impedir mediante justificativa técnica.

Quem paga o que, e como dividir custos

Uma das principais dúvidas nas discussões tem a ver com a conta de luz. Moradores perguntam, “Mas ele não paga a minha gasolina, por que eu tenho que pagar a eletricidade do carro dele? Cada um que pague a sua,” frase frequentemente ouvida em assembleias, conforme apontou o advogado Marcio Rachkorsky.

Especialistas recomendam separar a obra da rede, que é custo coletivo, do consumo individual, que deve ser cobrado do usuário. Sistemas de medição por vaga ou contratos específicos com a administradora são soluções comuns.

A administradora Gabriela Mattos aponta que há também falta de informação, “um preconceito muito muito grande em relação a isso, até por falta de conhecimento, por falta de informações”, o que dificulta o diálogo entre condôminos.

Adaptações técnicas e riscos elétricos

Prédios antigos nem sempre foram projetados para a nova demanda de energia, por isso a instalação de carregadores em condomínios pode exigir troca de cabos, dispositivos de proteção e até pedido de aumento de carga à concessionária.

O engenheiro eletricista Fabio Delatore explica que a obra pode envolver cabeamento e dispositivos de proteção, e “não se exclui a necessidade de, eventualmente, solicitar mais energia do concessionário”.

O presidente da AABIC, Omar Anawat, afirma que muitos prédios antigos simplesmente “não vão dar conta de atender a uma demanda maior de energia”, o que aumenta o risco de instalações improvisadas.

Segurança, baterias e orientações do Corpo de Bombeiros

Além da rede elétrica, há preocupação com as baterias de íon de lítio dos veículos. O engenheiro Marco Aurélio Moreira alerta que “existe a questão das baterias de íon de lítio, elas realmente têm uma questão de serem mais inflamáveis se expostas ao oxigênio”.

O Corpo de Bombeiros recomenda evitar qualquer tipo de improviso na instalação, pois são ocorrências mais complexas que demandam novas táticas e técnicas para combate, segundo o capitão Murillo Rinaldi Amendoeira.

Por isso, projetos devem seguir normas técnicas, com equipamentos de proteção adequados, e as instalações precisam ser realizadas por profissionais qualificados.

Impactos práticos e mercado imobiliário

O aumento da frota torna o debate mais urgente, já que, “Em um ano, as vendas desses modelos triplicaram. Atualmente, são mais de 815 mil veículos desse tipo circulando no Brasil. No primeiro semestre, eles representaram cerca de 16% do total de carros vendidos. Em julho, os emplacamentos de elétricos superaram os de veículos a diesel pela primeira vez,” segundo a reportagem.

Para quem depende do veículo no trabalho, a ausência de pontos de recarga em casa complica a rotina. A taxista Patrícia Martins Neves, que usa carro elétrico, relatou que no condomínio onde mora ainda não há pontos e que moradores aguardam uma solução.

Alguns moradores veem a infraestrutura como um diferencial, “Porque hoje em dia todo mundo procura um prédio que tenha algo a mais,” diz a arquiteta Alice Camargos, e síndicos e gestores afirmam que, com diálogo, é possível avançar: “Tá muito acirrado, tá polêmico. Mas a gente sabe que isso é normal. Toda mudança, todo processo de transformação se fazem necessário muita discussão, muito diálogo,” conforme a cirurgiã-dentista Danielle Machado.

Para quem já instalou em casa, a economia também aparece: “Se você gasta R$ 3 mil por mês, você vai estar a gastar R$ 500,” afirmou o engenheiro Sidney Aparecido Antônio sobre o custo de recarga, mostrando potencial de redução de despesas com mobilidade.

Em resumo, a chegada de veículos elétricos reforça a necessidade de planejamento técnico, regras claras e diálogo em assembleia para viabilizar carregadores em condomínios, equilibrando direito individual, custos e segurança coletiva.

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