Governo renova cota para importação de carros elétricos sem imposto por US$ 463 milhões, Anfavea critica e montadoras alertam para riscos à indústria

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O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, o Gecex, renovou a cota para a importação de carros elétricos sem imposto por um período de seis meses, com um limite de US$ 463 milhões, válido a partir de 1º de julho de 2026.

A decisão inclui veículos semimontados (SKD) e desmontados (CKD), que poderão entrar no país sem pagar imposto até o teto definido, enquanto a importação de carros montados não terá cotas, segundo o governo.

A medida gerou críticas do setor, que alega perda de confiança e impacto em investimentos anunciados no Brasil, conforme informação divulgada pelo governo e pela Anfavea.

O que diz o governo e como funcionará a cota

Segundo o governo, o novo patamar é o mesmo que vigorou até janeiro de 2026, e a isenção vale por seis meses a partir de 1º de julho de 2026. Nas palavras oficiais, “O patamar é idêntico ao que vigorou até janeiro deste ano. Acima das cotas, permanece o recolhimento de 35% para SKD e de 14% para CKD. A importação de carros montados, por outro lado, não terá qualquer tipo de cotas“.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmou que a medida “converge com outras iniciativas do governo voltadas à renovação da frota e ao fortalecimento da inovação e da descarbonização no ecossistema automotivo brasileiro, com veículos mais sustentáveis, que contribuem para a redução das emissões de CO2“.

Reação da indústria e da Anfavea

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea, publicou nota afirmando que a medida é “contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças“. A entidade criticou a forma como a decisão foi tomada, dizendo que ocorreu sem consulta ao setor produtivo e alterou uma política definida pelo próprio governo.

A Anfavea ressaltou ainda que as cotas para importação de kits terminaram em fevereiro de 2026 conforme o cronograma anterior, e que a mudança, ao prolongar benefícios temporários, pode “colocar em xeque a confiança de empresas que ajustaram seus planos de investimento contando com as regras pactuadas“.

Dados e argumentos do setor

No texto, a Anfavea lembrou que a eletrificação avançou no país nos últimos anos e trouxe resultados na produção nacional, com veículos eletrificados produzidos no Brasil representando 25,9% das vendas do segmento em 2025, e que, no acumulado até maio de 2026, o mercado atendido por veículos produzidos no Brasil cresceu 57% em relação ao mesmo período de 2025.

A associação também citou que os emplacamentos de eletrificados importados cresceram “214% entre 2023 e 2025“, e destacou investimentos anunciados de R$ 140 bilhões pelas fabricantes no Brasil até 2033, voltados à eletrificação, pesquisa, engenharia e ampliação da cadeia de fornecedores.

Impactos no mercado e perspectivas

Do lado das montadoras e fornecedores nacionais, a preocupação é com perda de incentivos para o desenvolvimento produtivo local, enquanto defensores da medida apontam que a isenção temporária pode evitar aumento de preços dos veículos elétricos no país, mantendo oferta e ajudando a acelerar a transição para a mobilidade elétrica.

Empresas chinesas como BYD e Geely já iniciaram projetos para produzir no Brasil, e a resolução que restabeleceu a cota havia sido publicada após pedido da BYD para reduzir o imposto sobre carros desmontados trazidos do exterior para montagem local. A empresa chinesa, na ocasião, afirmou que a reação das montadoras tradicionais se devia à preocupação em manter posição dominante no mercado.

Com a cota renovada, permanece o debate sobre qual modelo de desenvolvimento o Brasil pretende incentivar para a nova mobilidade, e sobre o espaço reservado à produção nacional nesse processo, além da pressão por estabilidade regulatória para garantir os investimentos anunciados pelas fabricantes.

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