Honda prejuízo elétricos: montadora prevê até US$3,6 bilhões de perda anual após baixa de US$15,7 bilhões e cancelamento de produção nos EUA

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Honda prevê prejuízo anual de até US$3,6 bilhões e atribui perdas bilionárias a reestruturação do negócio de veículos elétricos, com cancelamento de produção nos EUA

A Honda confirmou que terá seu primeiro prejuízo anual em quase 70 anos, após anunciar baixas contábeis volumosas no negócio de veículos elétricos.

A empresa estima um impacto de US$15,7 bilhões, R$ 77,1 bilhões, relacionado ao cancelamento de projetos e à reestruturação da divisão de elétricos.

Esses dados e declarações foram divulgados pela própria Honda, em comunicado à imprensa, e compõem a base desta reportagem, conforme informação divulgada pela Honda.

O tamanho das perdas e o que foi anunciado

A Honda anunciou uma baixa contábil de US$15,7 bilhões (R$ 77,1 bilhões) associada ao cancelamento de três modelos elétricos planejados para produção nos Estados Unidos, e passou a prever um prejuízo de até US$3,6 bilhões (R$ 17,6 bilhões) no ano fiscal que termina em março.

Segundo o comunicado da empresa, o resultado negativo será o primeiro prejuízo anual da companhia desde que foi listada no mercado de ações em 1957, marcando um corte drástico em sua estratégia anterior para veículos elétricos.

Reação do mercado e análise externa

A analista Julie Boote, da Pelham Smithers Associates, comentou sobre a decisão, afirmando, “A principal surpresa foi o fato do plano de produção dos EUA ter sido cancelado, em vez de apenas reduzido. A Honda tinha um plano de expansão de veículos elétricos muito ambicioso, que foi gravemente afetado pelas mudanças no ambiente do mercado”.

O movimento da Honda se enquadra numa onda de revisões no setor, após mudanças de apoio a elétricos nos EUA, sob o governo do presidente Donald Trump, que levaram outras montadoras a reduzir ambições e contabilizar baixas significativas.

Impacto setorial e comparações

A perda da Honda eleva o total de baixas no setor automobilístico para cerca de US$ 67 bilhões. Outras montadoras já anunciaram encargos relevantes, como a General Motors, com US$7,6 bilhões, a Stellantis, com US$25 bilhões, e a Ford, com US$19 bilhões.

Esses valores mostram que a revisão de planos de elétricos é um fenômeno global, com efeito direto nas demonstrações financeiras e nas projeções de investimento das montadoras.

Medidas internas e próximos passos

Para mitigar o impacto, o presidente da Honda, Toshihiro Mibe, e o vice-presidente executivo Noriya Kaihara, renunciarão voluntariamente ao equivalente a 30% de sua remuneração por três meses, enquanto alguns outros executivos abrirão mão de 20%.

A empresa informou que pretende anunciar uma nova estratégia de negócios de médio a longo prazos no próximo ano fiscal, e que fortalecerá sua linha de modelos e competitividade de custos especialmente na Índia, onde busca espaço para expansão diante da pressão de rivais chineses.

O tema do momento é a readequação das metas para veículos elétricos, e as decisões tomadas agora pela Honda servirão como termômetro para a direção do setor nos próximos meses.

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