Governo renovou cota para importação de carros desmontados CKD e semimontados SKD, medida que favorece entrada de marcas chinesas e gera críticas de montadoras nacionais
O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, Gecex, renovou uma cota de importação sem impostos para veículos elétricos que entram no país de forma desmontada, no formato CKD, e semimontada, no formato SKD.
O tema acendeu um debate entre o governo e a indústria automotiva, porque o formato SKD demanda menos mão de obra local e pode acelerar a chegada de modelos estrangeiros prontos ao mercado nacional.
As reações das montadoras brasileiras e da associação do setor foram fortes, com críticas sobre o impacto nos empregos e nos investimentos locais, conforme informação divulgada pelo g1.
O que são CKD, SKD e CBU e por que a distinção importa
Um carro produzido em CKD chega ao país desmontado e é montado em uma fábrica brasileira, enquanto um veículo SKD entra semimontado, praticamente pronto, exigindo menos trabalho local. Já o CBU corresponde a carros que chegam totalmente montados.
A produção em SKD costuma ser usada como etapa inicial por empresas que pensam em instalar fábricas locais, porque permite aproveitar mão de obra estrangeira e tecnologias que ainda não são fabricadas no Brasil.
Por que montadoras brasileiras reclamam da renovação da cota
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea, afirmou que “a medida é contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças”.
A Anfavea também disse que “a decisão, tomada sem consulta ao setor produtivo, altera de forma intempestiva uma política definida pelo próprio Governo Federal” e que “as cotas para importação de kits de veículos elétricos terminaram em fevereiro de 2026, conforme definido no ano passado pelo governo após longo debate com o setor produtivo”.
Para fabricantes instaladas no Brasil, a ampliação de benefícios à importação reduz o estímulo para evolução da produção local e cria insegurança sobre cronogramas de investimento estruturados sob regras anteriores.
Números e citações que explicam a preocupação do setor
A Anfavea destacou dados sobre o crescimento da eletrificação no país, lembrando que “os emplacamentos de eletrificados importados cresceram 214% entre 2023 e 2025”.
O setor também cita decisões de investimento recentes, por exemplo, que “as fabricantes anunciaram R$ 140 bilhões em investimentos no Brasil até 2033” e que, em 2025, “os veículos eletrificados produzidos no país responderam por 25,9% das vendas do segmento”.
Segundo a associação, “no acumulado até maio de 2026, o mercado atendido por veículos produzidos no Brasil cresceu 57% na comparação com o mesmo período de 2025”.
Do lado do governo, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmou que “a medida converge com outras iniciativas do governo voltadas à renovação da frota e ao fortalecimento da inovação e da descarbonização no ecossistema automotivo brasileiro, com veículos mais sustentáveis, que contribuem para a redução das emissões de CO2”.
O que muda para consumidores, fornecedores e próximos passos
No curto prazo, a renovação da cota pode ampliar a oferta e reduzir preços de veículos elétricos importados em formatos CKD e SKD, especialmente de marcas chinesas que já têm forte atuação global, o que atrai consumidores interessados por modelos mais baratos e prontos.
No médio e longo prazo, a principal preocupação das montadoras brasileiras é que a medida desincentive a expansão da produção local, a entrada de fornecedores nacionais e o desenvolvimento de engenharia e tecnologia no país.
As empresas e associações do setor prometem acompanhar medidas futuras e pressionar por regras que equilibrem a expansão da eletromobilidade com a geração de empregos e o fortalecimento da cadeia produtiva nacional.