Por que os preços da gasolina e diesel demoram a cair no Brasil, mesmo com recuo do petróleo, estoques baixos, fim de subsídios e incerteza no Oriente Médio

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Os postos ainda não refletem a recente oscilação do petróleo no mercado internacional, e a queda que muitos consumidores esperavam não chegou.

Especialistas dizem que a combinação de incertezas geopolíticas, estoques baixos e o desenho dos subsídios impede uma redução mais rápida nos valores ao consumidor.

No Brasil, medidas públicas e decisões da Petrobras também têm limitado repasses, o que explica parte da rigidez dos preços, conforme informação divulgada pelo g1

Alta internacional e impacto imediato

A imprevisibilidade do conflito entre os Estados Unidos e o Irã voltou a influenciar os preços do petróleo. Em julho, a commodity subiu, e, na véspera, o barril do Brent fechou cotado a US$ 84,23, uma alta de 15,5% no mês até agora. Apesar da alta recente, o Brent segue abaixo do pico de abril, quando atingiu US$ 118,03, e passou por um período de queda que o levou a ficar próximo de US$ 70.

A volatilidade tem a ver com novos ataques e contraataques, e também com o bloqueio naval e restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz, ponto por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo. Esse cenário eleva o prêmio de risco e torna a redução de preços menos provável no curto prazo.

Estoques baixos e demanda ainda firme

“Vivemos uma queda histórica nos estoques. Tanto a OCDE quanto os EUA apresentam níveis bastante baixos”, afirma o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. Com estoques reduzidos, qualquer surpresa na oferta tende a pressionar cotações e a reduzir o espaço para repasses negativos aos postos.

Além disso, a demanda global segue elevada, impulsionada pelo verão no Hemisfério Norte, quando o consumo de energia costuma subir nos EUA e na Europa. Essa confluência mantém a sensibilidade dos preços internacionais.

Por que a queda internacional não chega aos postos

No Brasil, a transmissão dos movimentos do petróleo para a bomba envolve várias etapas, incluindo importações, margens de distribuidores e tributos. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, gás natural e biocombustíveis, diesel e gasolina acumulam altas, desde o início do conflito em fevereiro, de cerca de 10% no diesel e 5% na gasolina.

O analista de inteligência de mercado da StoneX, Bruno Cordeiro, resume o motivo principal, “A imprevisibilidade ainda dita os preços do petróleo e, consequentemente, do diesel e da gasolina. Ainda existem muitos pontos sensíveis a serem negociados entre os dois países”. Ou seja, enquanto a guerra permanecer volátil, a tendência de queda é limitada.

Subsídios, ações da Petrobras e medidas do governo

Para reduzir o impacto na inflação, o governo federal destinou mais de R$ 30 bilhões a medidas de contenção. A Petrobras também atuou para amortecer aumentos nos momentos mais críticos, evitando repasses imediatos aos consumidores.

Quando o subsídio bancado pelo governo ao diesel foi encerrado, a Petrobras reduziu o preço do diesel nas refinarias em R$ 0,35, mas a queda apenas compensou o fim do benefício e os preços praticados para as distribuidoras permaneceram inalterados. O governo ainda adiou a retirada do subsídio à gasolina após nova escalada do conflito no Oriente Médio.

O aumento na mistura obrigatória de etanol, de 30% para 32% na gasolina, também foi adotado, mas especialistas avaliam que “esse aumento é importante, mas, por si só, não deve se refletir em uma redução significativa da gasolina”. O principal determinante continua sendo o mercado internacional e como seus movimentos são transmitidos aos produtos importados que chegam aos portos brasileiros.

O que esperar nos próximos meses

A tendência de queda nos preços ao consumidor depende de três fatores que precisam convergir, demanda mais branda, normalização da oferta e estoques em níveis menos apertados. Sem isso, oscilações no petróleo tendem a ser repassadas de modo lento e parcial.

Enquanto durar a incerteza geopolítica e persistirem estoques baixos, a redução imediata nos valores da bomba deve seguir limitada. Para consumidores, isso significa que cortes pontuais nas refinarias ou mudanças na mistura podem não se traduzir rapidamente em queda nos postos.

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