Trocar um carro a combustão ainda novo por um carro elétrico reduz emissões? Estudo da Science mostra quando a troca compensa para o clima

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Trocar um carro a combustão ainda novo por um carro elétrico pode reduzir emissões ao longo dos anos, mas o ganho climático varia conforme a eletricidade, eficiência e o destino do veículo substituído

Substituir um carro a combustão que ainda funciona por um carro elétrico pode, em muitos casos, reduzir as emissões de gases de efeito estufa ao longo do tempo.

O cálculo leva em conta não só o uso, mas também a fabricação do veículo e da bateria, a extração de matérias-primas, a produção de combustível e a geração da eletricidade usada para recarga.

Os autores avaliam cenários variados e apontam que a vantagem existe em grande parte deles, desde que o carro antigo seja retirado da frota de forma definitiva, conforme estudo publicado na revista Science.

Como o estudo avaliou as emissões

Os pesquisadores Elliott Campbell, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, e Roland Geyer, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, compararam o ciclo de vida completo de veículos a combustão e elétricos.

Foram consideradas etapas como fabricação, bateria, extração de matérias-primas, produção de combustível e geração de eletricidade, para estimar as emissões acumuladas ao longo da vida útil dos veículos.

Quando a troca compensa para o clima

Em um exemplo, os autores usam um SUV médio nos Estados Unidos com vida útil de 16 anos. Se o modelo a combustão for retirado no segundo ano e substituído por um elétrico, as emissões ao longo do período cairiam 44%.

No mesmo cenário, seriam necessários cerca de três anos para compensar as emissões adicionais associadas à produção do novo veículo, destacam os autores.

Variações em eficiência dos veículos, características das baterias e intensidade de carbono da rede elétrica alteram o resultado, mas os autores encontraram redução líquida de carbono em 92% dos cenários testados.

Limitações e implicações práticas

O principal ponto crítico é o destino do carro substituído, porque o estudo compara a continuidade do uso com a retirada permanente da frota.

Se o veículo antigo for apenas vendido e continue circulando, a oferta de usados pode reduzir preços e levar a mais carros a combustão nas ruas, o que pode anular parte do benefício calculado para a eletrificação.

Especialistas ouvidos pelos autores fazem ressalvas, mas reconhecem que os resultados são metodologicamente consistentes. Mikel González avaliou que, “no caso extremo em que o carro de combustão fosse retirado no segundo ano, as emissões durante todo o ciclo de vida seriam reduzidas em 44%”, frase citada pelos pesquisadores.

Antonio García Martínez destacou que o estudo foca na redução das emissões futuras de CO2, deixando fora do centro da análise outros aspectos ambientais, como consumo de materiais, energia já empregada na fabricação e princípios da economia circular.

Os próprios autores observam que a substituição antecipada de veículos mais novos é hoje pouco viável economicamente, e apresentam o trabalho como uma avaliação do potencial climático de políticas que incentivem a troca, sobretudo em frotas e veículos menos eficientes.

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