Volkswagen propõe até 100 mil cortes para enfrentar avanço das montadoras chinesas na Europa, mantém lucro e abandona previsão de crescimento da receita

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Volkswagen anuncia proposta de reestruturação com até 100 mil cortes, busca reduzir custos para enfrentar o avanço das montadoras chinesas na Europa, e avalia fechamento de fábricas na Alemanha

A Volkswagen defendeu um aprofundamento nos cortes de custos e propôs ampliar o plano de demissões, visando ganhar competitividade diante da expansão das montadoras chinesas no mercado europeu.

O movimento da companhia combina a tentativa de tranquilizar investidores com uma proposta de reestruturação abrangente, que pode incluir o fechamento de fábricas e a produção de modelos para outros mercados.

A análise da direção da empresa aponta para riscos crescentes com a chegada de mais fabricantes chineses ao continente, conforme informação divulgada pela Volkswagen.

Por que a Volkswagen quer cortar mais empregos

A direção da Volkswagen argumenta que é necessário reduzir custos para se manter competitiva, diante do crescimento de mais de 150 fabricantes de automóveis na China, muitos dos quais estão entrando no mercado europeu com veículos elétricos de menor custo e alto conteúdo tecnológico.

O presidente-executivo Oliver Blume afirmou, segundo a companhia, “Quando olhamos para o futuro, vemos que os riscos aumentam cada vez mais”, e também declarou, “E todos estão chegando ao mercado”.

Para reagir, o executivo propôs dobrar o número de demissões já previstas, elevando o total de 50 mil para 100 mil postos de trabalho, e alertou que quatro fábricas na Alemanha correm o risco de ser fechadas após 2030.

Resultados trimestrais, margem e previsões

Os resultados do segundo trimestre foram mistos. O lucro operacional da Volkswagen caiu 9,5% entre abril e junho, para 3,5 bilhões de euros (US$ 3,98 bilhões), enquanto a receita somou 82,4 bilhões de euros, permitindo manter a margem operacional em 4,2% no trimestre, dentro da meta anual de 4% a 5,5%.

A empresa decidiu manter a projeção de lucro para o ano, mas deixou de prever crescimento da receita e agora estima uma queda de até 3% nas vendas em 2026.

As ações da Volkswagen chegaram a cair 3,2% após a divulgação dos resultados, e parte da reação do mercado reflete a incerteza sobre o plano e os próximos passos da companhia.

Concorrência chinesa e resposta estratégica

Montadoras chinesas como BYD e Geely têm ampliado presença na Europa, exportando veículos e instalando fábricas em países com custos de produção mais baixos, como Hungria e Espanha.

Além de cortes, a Volkswagen avalia alternativas para aproveitar capacidade ociosa nas fábricas alemãs, incluindo produzir no país modelos desenvolvidos para o mercado chinês e estabelecer parcerias com empresas do setor de defesa.

O conselho de trabalhadores respondeu que apenas reduzir custos não será suficiente para recuperar competitividade, e defendeu mais investimentos em tecnologia e desenvolvimento de novos produtos.

Riscos, negociações e próximos passos

Blume não conseguiu aprovar integralmente o plano de reestruturação durante uma reunião do conselho de supervisão, o que abre caminho para nova rodada de negociações com os sindicatos, após um acordo firmado no fim de 2024 que previa os primeiros 50 mil cortes de empregos.

Alguns analistas interpretam os números do segundo trimestre como um sinal de estabilização, já que a receita superou expectativas e o grupo segue no caminho para elevar a margem operacional para a faixa entre 4% e 5,5% neste ano.

O conselho de trabalhadores afirmou que representantes retomarão negociações com a diretoria após o recesso de verão nas fábricas alemãs, enquanto Blume disse esperar concluir as decisões antes do fim do ano.

Em síntese, a Volkswagen busca equilibrar a manutenção de metas de lucro com um plano de reestruturação agressivo, em resposta ao avanço das montadoras chinesas na Europa, e enfrenta um período decisivo de negociações internas e ajustes estratégicos.

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