BYD no Brasil quer ser líder até 2030, Baldy prevê que Camaçari será referência como Betim, critica rivais e vê ‘medo’ na reação das montadoras

PUBLICIDADE

Baldy afirma que a BYD no Brasil pretende ser líder até 2030, que a fábrica de Camaçari terá papel semelhante ao complexo de Betim e critica a reação de rivais

Alexandre Baldy, executivo da BYD, afirmou que a montadora tem a meta de ser líder de mercado até 2030 e que o complexo industrial em Camaçari deve cumprir papel semelhante ao da Stellantis em Betim em menos de cinco anos.

Ele detalhou a estratégia de início pela montagem de kits e a progressão para fabricação de componentes e, por fim, produção completa, e rebateu críticas de concorrentes e associações sobre carga tributária e investimentos.

As declarações foram concedidas ao g1, e trazem dados sobre capacidade industrial, preços e infraestrutura de recarga no Brasil, conforme informação divulgada pelo g1.

Plano industrial em Camaçari e comparação com Betim

Baldy citou a fábrica da Stellantis em Betim como referência, lembrando que ela “pode produzir até 650 mil veículos por ano e reúne marcas como Fiat e Peugeot” e que, além do mercado interno, o complexo “também exporta para mais de 30 países”.

Segundo o executivo, a unidade de Camaçari deve chegar a um papel parecido em menos de cinco anos, com um avanço progressivo da montagem para processos locais de soldagem, moldagem de peças e pintura, até chegar à fabricação completa dos veículos.

Montagem, impostos e a disputa com a Anfavea

Baldy explicou que a entrada da BYD no Brasil começou pelo regime de montagem, conhecido como SKD, e justificou essa rota com a frase, “É impraticável qualquer indústria automobilística vir para o Brasil investir bilhões de reais e não começar pelo regime de montagem, Não existe, não existiu”.

O executivo ressaltou que o país adiantou a recomposição do imposto de importação, que passou a 35% para todos, em resposta a pressões do setor. A BYD afirma que pretende avançar para a fabricação completa, mas ainda não informou quando isso ocorrerá.

Preço, efeito no mercado e comparação com motos

Baldy disse que a chegada da BYD provocou reação das montadoras tradicionais, por conta de uma estratégia de preços mais baixos que, na prática, gerou um “efeito dominó” nos valores de alguns elétricos.

Entre as reduções citadas estão, Renault Kwid E-Tech, de R$ 149.990 para R$ 99.990, JAC E-JS1, de R$ 164.900 para R$ 154.900, Caoa Chery iCar, de R$ 149.990 para R$ 139.990, e Peugeot e-2008, de R$ 259.990 para R$ 159.990.

Sobre o Dolphin Mini, Baldy afirmou que “o nosso BYD Dolphin Mini, é mais econômico que andar numa moto, Se você comparar com uma moto, seja uma Honda Biz ou uma Honda CG, é mais barato você dirigir um BYD Dolphin Mini, Você gasta com 20.000 km R$ 380 para fazer uma revisão”. O modelo custa R$ 119.990, enquanto uma Honda Biz zero quilômetro é vendida por R$ 13.240, valor que permitiria comprar nove Biz pela mesma quantia do Dolphin Mini.

Infraestrutura de recarga e investimentos

Sobre a rede de carregadores no país, Baldy destacou avanços e a entrada de carregadores ultrarrápidos, com a promessa de recuperar cerca de 400 quilômetros de autonomia em apenas cinco minutos de recarga, e citou os modelos da Denza como compatíveis com essa tecnologia.

Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico apontam que, até fevereiro de 2026, existem 21.061 eletropostos no Brasil, sendo 14.582 de recarga lenta e 6.479 pontos de recarga rápida. Mesmo com crescimento, há grandes regiões sem infraestrutura e poucas marcas expandindo a rede.

Baldy rebateu críticas sobre investimento da BYD no país, afirmando que “aqueles que comentam ou que fazem esse tipo de comentário ou desconhecem a tecnologia ou são ignorantes”. Ele também comentou a volta do Salão do Automóvel de São Paulo em 2025, criticando a ausência de marcas que, segundo ele, pedem mudanças fiscais ao governo e depois não participam do evento.

Mais recentes

PUBLICIDADE