Operação Carbono Oculto revela combustível adulterado com nafta, esquema de fraude tributária e lavagem de dinheiro, e risco de destruição da bomba, bicos injetores e motor

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Nova fase da Operação Carbono Oculto prendeu suspeitos e identificou um esquema que desviava Nafta, solvente petroquímico importado, e o vendia como gasolina para veículos.

Especialistas alertam que a mistura reduz octanagem e pode causar perda de potência, falhas de injeção e corrosão de componentes essenciais do motor.

Veja a seguir como funcionava a fraude, quais são os sinais de um combustível adulterado com nafta e os prejuízos relatados por mecânicos e usuários, conforme informação divulgada pelo g1

Como funcionava a fraude e o impacto tributário

A investigação mostrou o desvio de solventes petroquímicos importados, Nafta, que têm tributação muito menor e eram vendidos ilegalmente como gasolina, gerando sonegação e lavagem de dinheiro.

O produto, por ter custo menor, era misturado e comercializado em postos ou por distribuidores ilegais, reduzindo o preço final e ampliando o lucro ilícito.

O que dizem os especialistas sobre os riscos

“A nafta é um derivado de petróleo, que tem custo menor que a gasolina, mas possui características semelhantes. A baixa octanagem causa alguns problemas no motor”, explica Tenório Júnior, técnico e professor de mecânica automotiva.

“Se você não tá pisando muito, numa estrada, velocidade constante, ele não não vai causar problema. Quando você retoma velocidade, quando acelera, pode até destruir totalmente o motor”, diz Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da Associação de Engenharia Automotiva.

“Eu já pegei já isso. Destrói tudo do carro, tudo que você pode imaginar. De bomba de combustível a catalisador e injetores. Estraga até a parede do do motor do carro, que é a parte onde fica o cilindro”, aponta Bruno Bandeira, mecânico e proprietário da Oficina Mecânica Na Garagem.

Sinais de alerta e danos observados

Segundo os mecânicos, é difícil identificar o combustível adulterado com nafta apenas pela aparência, mas há sinais claros, como cheiro diferente e o acendimento da luz de alerta da injeção logo após o abastecimento.

“O combustível alterado faz com que sature a leitura dos sensores e faz ligar essa luz”, aponta Orli Robalo, mecânico em Porto Alegre.

Denis Marum, mecânico com formação em engenharia mecânica, lista sinais de adulteração por metanol, entre eles: “geralmente, o consumo médio despenca 30%. É fácil de perceber para quem faz o mesmo percurso diariamente: o tanque dura menos”, dificuldade para pegar pela manhã, ruído do motor semelhante ao de uma corrente de bicicleta trocando de marcha, odores estranhos saindo do escapamento, cheiro de solvente ou querosene.

Casos e custos de reparo

Em um Volkswagen Nivus 2023 abastecido com combustível adulterado, o conserto incluiu: 40 litros de combustível descartados;Três bicos injetores danificados pela corrosão;Bomba de combustível danificada, com menos pressão;Filtro de combustível entupido;Catalisador obstruído, com liberação de pó branco.

A investigação também apontou que “o combustível do PCC chegava a ter 90% de metanol na composição”. Com porcentagens elevadas de metanol, componentes como bicos injetores, flauta de combustível, câmara de combustão, guia de válvulas, bomba de baixa pressão e bomba de alta pressão podem ser corroídos.

“Tem carro que, pela manhã, nem liga. Pelo combustível, ele trava onde fica a haste de válvula do cabeçote. O metanol cria uma goma”, revela Bandeira.

Motoristas que suspeitarem de problema após um abastecimento devem procurar uma oficina confiável, evitar rodar com o tanque cheio do combustível suspeito e registrar reclamação, pois os danos podem ser gravíssimos e os custos de reparo elevados.

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