Crise nas montadoras alemãs: BMW, Volkswagen, Porsche, Audi e Mercedes anunciam cortes que somam mais de 120 mil vagas diante da concorrência chinesa

PUBLICIDADE

Crise nas montadoras alemãs se intensifica com anúncios sucessivos de cortes, reestruturações e medidas de contenção de custos em grandes grupos automotivos, afetando milhares de trabalhadores na Alemanha e no exterior.

As decisões das empresas refletem perda de participação em mercados-chave, especialmente para veículos elétricos, e pressões sobre margens e preços, em meio à expansão das fabricantes chinesas.

Os números e declarações foram divulgados pelas próprias montadoras e por reportagens compiladas, conforme informação divulgada pelas montadoras e reportagens compiladas.

Cortes anunciados e números por empresa

Somados, os planos anunciados por BMW, Volkswagen, Porsche e Audi superam 120 mil cortes de empregos, enquanto as montadoras enfrentam a concorrência crescente das fabricantes chinesas e a queda nos lucros.

A BMW anunciou na quarta-feira (29) o corte de até 8 mil postos de trabalho em todo o mundo, tornando-se a quinta montadora alemã a divulgar grandes reduções de pessoal. Segundo a empresa sediada em Munique, as demissões afetarão cerca de 5% da força de trabalho global, que soma 154 mil funcionários, e o impacto será maior sobre as operações na Alemanha.

A BMW informou também que o lucro líquido do segundo trimestre caiu 35%, para 1,2 bilhão de euros, enquanto a receita recuou de 34 bilhões para 31 bilhões de euros. A companhia revisou projeções e alertou para uma queda significativa nos lucros para o restante do ano.

A Porsche anunciou planos para cortar mais 5 mil empregos na Alemanha até o fim de 2035, número que corresponde a cerca de um em cada cinco funcionários da empresa. A fabricante também vai adiar aumentos salariais e vincular bônus por desempenho aos lucros, e já havia previsto a eliminação de 1,9 mil postos até 2029 e o encerramento de 2 mil contratos temporários.

A Volkswagen, maior montadora da Europa, dobrou seu programa de redução de pessoal e anunciou planos para eliminar até 100 mil empregos, depois de inicialmente projetar a eliminação de 50 mil. A empresa emprega cerca de 630 mil pessoas no mundo, ou 680 mil se consideradas as joint ventures chinesas, e enfrenta custos de produção nas fábricas alemãs até duas vezes maiores que os rivais.

A Audi, controlada pela Volkswagen, anunciou planos para eliminar até 7,5 mil postos na Alemanha até o fim de 2029, e sua fábrica em Neckarsulm foi incluida entre unidades que poderão ser fechadas em 2030, medida que pode afetar cerca de 15 mil trabalhadores.

A Mercedes-Benz acertou um plano para economizar 5 bilhões de euros até 2027, sem demissões compulsórias nas fábricas alemãs, e até março cerca de 5.500 funcionários administrativos e de P&D aderiram a programas de desligamento. A empresa registrou baixas contábeis superiores a 700 milhões de euros devido à forte concorrência na China, e embora o lucro líquido do segundo trimestre tenha crescido 13,5%, alcançando 1 bilhão de euros, o lucro operacional da divisão de automóveis caiu um quarto, para 909 milhões de euros.

Por que a concorrência chinesa pressiona as fabricantes alemãs

Fabricantes chinesas avançam rapidamente no mercado de veículos elétricos, com preços agressivos e expansão em Europa, Ásia-Pacífico e América Latina, reduzindo o poder de precificação das empresas alemãs.

Além disso, o avanço considerado lento de algumas montadoras europeias no segmento elétrico e o alto custo de produção na Alemanha agravam a situação. A Volkswagen, por exemplo, mantém internamente mais etapas de produção do que concorrentes, o que aumenta a demanda por mão de obra e os custos.

Impactos adicionais vieram de fatores externos, como tarifas aplicadas por outros países e o aumento nos preços de energia associado a conflitos internacionais, que têm pressionado margens e contribuído para cortes e revisões nas projeções de lucro.

Reações, negociações e perspectivas

Os sindicatos e o estado da Baixa Saxônia, que detém 20% dos direitos de voto na Volkswagen, rejeitaram os novos planos da empresa. Em outros grupos, as medidas incluem adiamento de aumentos, vinculação mais estrita de bônus ao desempenho e programas voluntários de saída.

No caso da Porsche, a empresa informou que as novas medidas afetarão sua principal fábrica e o centro de P&D em Weissach, além de fechar subsidiárias menores. A Audi disse que pretende realizar cortes nas áreas administrativa e de P&D via programas voluntários e aposentadorias antecipadas.

Especialistas apontam que as montadoras terão de acelerar a transição tecnológica, otimizar cadeias produtivas e renegociar modelos de custo para enfrentar a concorrência chinesa, e que os próximos meses serão decisivos para a definição de estruturas de emprego e presença global dessas marcas.

Vamos acompanhar as atualizações e as negociações entre empresas, sindicatos e governos, porque as decisões tomadas agora devem moldar o setor automotivo alemão na próxima década.

Mais recentes

PUBLICIDADE