Move Aplicativos libera só 7,3% dos R$ 30 bilhões, financia 21.720 motoristas e enfrenta barreiras de crédito para motoristas de aplicativo e taxistas

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Move Aplicativos avança lentamente, com R$ 2,2 bilhões aprovados, 21.720 veículos financiados e obstáculos que limitam o alcance da linha de R$ 30 bilhões para motoristas e taxistas

O programa Move Aplicativos, que oferece financiamento com juros reduzidos para motoristas de aplicativo e taxistas, já aprovou R$ 2,2 bilhões em operações, mas utilizou apenas 7,3% dos R$ 30 bilhões previstos no programa até o momento.

Foram financiados veículos novos para 21.720 profissionais em todo o país, com valor médio de R$ 102 mil por motorista, enquanto especialistas e representantes apontam dificuldades de acesso ao crédito e alto endividamento das famílias.

Os dados e declarações foram divulgados em balanço do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, conforme informação divulgada pelo g1.

Resultados e números oficiais

Segundo o BNDES, o Move Aplicativos já contabilizou R$ 2,2 bilhões em financiamentos aprovados e atendeu 21.720 profissionais, com valor médio de financiamento de R$ 102 mil por motorista.

O montante de R$ 2,2 bilhões corresponde a apenas 7,3% dos R$ 30 bilhões previstos originalmente para a linha de crédito, que tem recursos do Tesouro Nacional repassados ao BNDES para viabilizar as operações.

Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, afirmou que “O programa alcançou 1.445 municípios e, esta semana, registrou quase 3 mil operações aprovadas por dia. Hoje, esta linha já responde por 30% do volume de veículos vendidos no Brasil”. Ele também disse que “O objetivo do programa é chegar ao maior número de veículos possíveis”.

Regras do programa e condições oferecidas

O Move Aplicativos foi anunciado em maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e permite que taxistas registrados e motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 12 meses e com pelo menos 100 corridas nesse período participem da linha.

Os carros precisam custar até R$ 150 mil, ser flex, elétrico ou híbrido flex, sendo que modelos híbridos somente a gasolina não entram, e, para usados, só são aceitos modelos elétricos ou híbridos flex. Além disso, o veículo deve ser produzido por montadora habilitada no programa Mover.

As taxas de juros são de 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres, com prazo de financiamento de até 72 meses e seis meses de carência.

Por que o crédito não avança como o esperado

Mesmo com juros inferiores à metade dos praticados no mercado, especialistas e líderes do setor apontam que o principal entrave tem sido a dificuldade de aprovação do crédito para muitos motoristas.

Armando Castelar, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, destaca que “As famílias estão muito endividadas. Tanto a dívida, quanto o serviço da dívida, que é o que as famílias gastam por mês para pagar juros e amortização, estão no recorde histórico”. Ele afirma que essa situação reduz o número de interessados na renovação do veículo.

Leandro Cruz, presidente do Sindicato dos Trabalhadores com Aplicativos de Transportes Terrestres Intermunicipais do Estado de São Paulo, reforça o problema prático, ao dizer que “O maior problema é que o trabalhador que trabalha muito, que faz de R$ 10 mil a R$ 12 mil, já está negativado. Esse trabalhador é o que mais tem condições de financiar, mas vem sendo negado quando pede o financiamento”.

Representantes do setor financeiro alertam que os critérios das instituições que operam o programa influenciam fortemente a capacidade de aprovação. Enilson Sales, presidente da Anef, afirmou, “Chamamos a atenção para dois pontos: O crédito ficará sujeito a critérios de aprovação das instituições financeiras que efetivamente são as que tomam o risco. Portanto, é razoável se esperar recusas de propostas por absoluta falta de condições de honrar o crédito. E em alguns casos vão requerer entrada para mitigar o risco de inadimplência”.

Everton Fernandes, presidente da Fenauto, destacou que “É importante ter uma expectativa realista quanto aos seus efeitos imediatos. Se os critérios de análise de risco permanecerem os mesmos, uma parcela significativa desses profissionais continuará encontrando barreiras para acessar o financiamento”.

Oferta de veículos e restrições práticas

O programa também permite a compra de usados, mas com restrição: os seminovos não podem ser apenas flex, precisam ser híbridos flex ou totalmente elétricos. Segundo levantamento citado, há poucos carros com sistema híbrido flex disponíveis por menos de R$ 150 mil no mercado de seminovos.

Na faixa de até R$ 150 mil aparecem versões híbridas de fabricantes, e, entre os modelos elétricos com preço médio apontado pela tabela Fipe, estão listados os seguintes valores, conforme a fonte: BYD Dolphin Mini: R$ 98.136, BYD Dolphin: R$ 118.540, GWM Ora 03: R$ 120.391, GAC Aion UT: R$ 128.790, Chevrolet Spark EUV: R$ 139.020, Geely EX2: R$ 113.882, Renault Kwid E-Tech: R$ 81.412.

Além disso, embora nove instituições financeiras operem a linha, fontes apontam que apenas duas delas são consideradas mais acessíveis para os profissionais, o que concentra as oportunidades e dificulta o alcance do programa.

Contexto econômico e próximas etapas

Dados do Serasa mostram que o Brasil enfrenta alto nível de endividamento, com 83,7 milhões de endividados em junho deste ano, 17,2% a mais do que em 2023, quando eram 71,4 milhões, o maior número da série histórica, que indica alta por 18 meses consecutivos.

O BNDES informou que alguns bancos precisaram desenvolver suas interfaces de tecnologia da informação para aderir ao programa e estão começando a entrar em agosto, o que deve abrir mais opções para motoristas e taxistas. Mercadante comentou que estão sendo adotadas melhorias para avançar no ritmo de aprovações.

Especialistas ouvidos alertam que, enquanto persistirem critérios rígidos de risco e o alto nível de endividamento das famílias, o alcance do Move Aplicativos pode continuar restrito, mesmo com juros mais baixos e recursos garantidos pelo Tesouro Nacional.

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