Entenda como a gasolina com 32% de etanol pode acelerar desgaste em peças antigas e modernas, quais componentes merecem atenção e quando buscar intervenção na oficina
A alteração na composição da gasolina entrou em vigor após decisão do Conselho Nacional de Política Energética, e despertou dúvidas entre motoristas e profissionais, especialmente sobre peças mais sensíveis do carro.
Veículos mais antigos, sem sistemas eletrônicos de gestão de combustível, são os mais afetados, mas modelos modernos também podem apresentar sinais de desgaste se a manutenção estiver em dia.
Na prática, a mudança tende a elevar levemente o consumo e a exigir ajustes, segundo mecânicos ouvidos por veículos de notícia, conforme informação divulgada pelo g1.
Carburador e tanques, os maiores riscos nos carros mais antigos
Para carros equipados com carburador, a mistura com mais etanol traz preocupação imediata. Como observa o técnico Tenório Júnior, “Os carburadores são ‘burros’. Eles não se adaptam ao combustível. Nos carburadores, a passagem de ar e de combustível para obter a mistura ideal é fixa”.
Além do ajuste ruim da mistura, o etanol pode aumentar a corrosão de componentes que não foram projetados para ele. O mecânico Bruno Bandeira resume o risco com outra frase direta, “Esse material não foi feito para suportar etanol, então olha o que está fazendo. Esse carburador tá condenado”.
Tanques metálicos de veículos antigos também podem sofrer corrosão por causa do teor de etanol, enquanto tanques plásticos, comuns desde os anos 2000, apresentam menor risco, segundo relatos de mecânicos.
Bomba de combustível, água na mistura e bicos injetores
O etanol presente na gasolina pode carregar umidade, e Alexandre Dias alerta que, se o veículo ficar parado, o combustível tende a absorver água do ar, o que acelera a corrosão da bomba de combustível e pode danificar a boia do tanque.
No caso de carros com injeção eletrônica, a central injeta mais combustível para compensar o menor poder energético da mistura com mais etanol. Alexandre diz claramente, “Com mais etanol na mistura, o consumo pode aumentar ligeiramente. Acredito que no máximo 5%,”
Se os bicos injetores já estiverem parcialmente sujos, o aumento do tempo de injeção pode evidenciar falhas, provocar marcha lenta irregular ou exigir limpeza mais frequente.
Velas, catalisador, mangueiras e a opção de atualização da ECU
Velas de ignição que já estejam gastas podem contribuir para queima inadequada do combustível com a nova mistura, gerando falhas intermitentes, segundo mecânicos. O catalisador também pode ter sua vida útil reduzida se receber combustível mal queimado.
Em veículos mais antigos, mangueiras, retentores e itens de vedação podem ressecar e desgastar-se mais rápido ao conviver com percentuais maiores de etanol, então a vistoria desses componentes é recomendada.
Para carros sem carburador, existe a possibilidade de atualizar a ECU, também chamada de módulo de injeção eletrônica, para ajustar a gestão da mistura e adaptar o motor à gasolina com 32% de etanol, conforme explicam especialistas. Em carros antigos, adaptar o carburador é possível, mas o processo é complexo e nem sempre eficaz.
Quando procurar a oficina e como reduzir o risco de danos
Procure uma oficina se perceber aumento de consumo além do esperado, falhas de marcha lenta, cheiro forte de combustível, sinais de corrosão no tanque ou comportamento irregular do painel de alimentação. A manutenção preventiva, com limpeza de bicos, verificação de velas e inspeção de mangueiras, ajuda a preservar a durabilidade do veículo.
Em resumo, a principal recomendação dos profissionais é atenção redobrada em carros antigos e manutenção regular em modelos mais novos, incluindo a avaliação da necessidade de atualização da ECU, para que a transição para a gasolina com 32% de etanol seja menos danosa ao seu carro.