Carros elétricos em garagens, riscos e cuidados para instalar carregadores em condomínios, adaptação elétrica, normas, custos e quem paga a conta

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O crescimento da frota de veículos elétricos e híbridos tem colocado a instalação de pontos de recarga no centro das decisões em condomínios.

Moradores e síndicos precisam conciliar segurança, custos e normas, sem transformar vagas em riscos por instalações improvisadas.

As informações reunidas apontam que a questão técnica e a necessidade de projetos são centrais para evitar problemas, conforme informação divulgada pela reportagem.

Quais são os riscos nas garagens

O principal risco não está nos veículos, mas em instalações improvisadas e em redes elétricas que não foram projetadas para a nova demanda, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.

Sobre as baterias, Marco Aurélio Moreira alerta, “Existe a questão das baterias de íons de lítio. Elas realmente têm uma questão de serem mais inflamáveis se expostas ao oxigênio”, destacando a necessidade de cuidados específicos.

O Corpo de Bombeiros também adverte para a complexidade das ocorrências envolvendo veículos elétricos, “A gente precisa evitar qualquer tipo de improviso. É uma nova tecnologia e uma ocorrência um pouco mais complexa. Ela demanda novas táticas e novas técnicas para fazer justamente esse combate”, afirma Capitão Murillo Amendoeira, Corpo Bombeiros/SP.

Adaptação da estrutura e da rede elétrica

Prédios antigos geralmente não suportam aumento de carga sem intervenção. “O prédio antigo não vai dar conta de atender a uma demanda maior de energia. O maior risco possível é usar tomada sem saber a carga, sem saber se a parte técnica está correta”, afirma Omar Anauate, presidente da Associação Administrativa de Bens, Imóveis e Condomínios/SP.

Para muitas situações, é necessária uma análise técnica completa, com alteração de cabeamento e dispositivos de proteção. “Começa-se internamente na alteração de cabeamento e dispositivos de proteção, mas não se exclui a necessidade de eventualmente solicitar mais energia para a concessionária”, explica Fábio Delatore, engenheiro eletricista, IMT.

Por isso, a instalação deve seguir um projeto elétrico adequado, com dispositivos de proteção e, quando necessário, reforço junto à concessionária de energia.

Custos, regras em condomínios e quem paga

O debate sobre custos envolve obras estruturais, distribuição de despesas e o consumo de energia. Especialistas ouvidos defendem que a energia consumida seja paga pelo proprietário do veículo, enquanto obras de infraestrutura podem exigir deliberação coletiva.

“A estrutura todo mundo paga. Agora, a energia só paga quem vai usar. É absolutamente justo e claro. Tem que fazer um projeto, estar dentro das normas do bombeiro e passar por assembleia”, defende Marcio Rachkorsky, advogado especialista em condomínios.

Em São Paulo, há legislação estadual que garante ao morador o direito de instalar um carregador em sua própria vaga, desde que sejam respeitados critérios técnicos e de segurança, e o condomínio só pode negar por justificativa técnica.

Boas práticas para instalar carregadores em garagens

Antes de qualquer intervenção, contrate um profissional qualificado para elaborar um projeto elétrico que considere a capacidade do quadro, proteção contra sobrecarga e normas de segurança.

Evite ligações em tomadas comuns e improvisos, priorize estação de recarga apropriada, com certificação, e defina claramente, em assembleia, quem arca com obras e quem paga o consumo.

Além do aspecto técnico, considere que a instalação bem feita pode valorizar o imóvel. Um morador destacou, “A valorização do seu imóvel, principalmente isso, porque hoje em dia todo mundo procura um prédio que tenha algo a mais”.

Outro morador resumiu a expectativa, “Eu acredito que no final nós vamos conseguir uma energia limpa, com estrutura, com segurança. Acredito porque esse é o futuro”.

Para reduzir riscos e conflitos, documente o projeto, siga as normas do Corpo de Bombeiros e dos órgãos reguladores, e trate a instalação como obra técnica, e não como uma adaptação improvisada.

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