Lucro da BYD cai 55,4% no 1º trimestre, receita recua 11,8%, vendas na China seguem em queda, concorrência com Geely e Leapmotor aumenta, empresa mira exportações e tecnologia
BYD, a maior vendedora de veículos elétricos do mundo, registrou uma queda relevante em seus resultados trimestrais, pressionada por vendas fracas no mercado doméstico e pela intensificação da concorrência.
O desempenho refletiu retração na receita e encolhimento nas entregas internas, enquanto a montadora busca compensar a perda de fôlego com expansão internacional e novos investimentos em tecnologia de recarga.
Os números mais recentes vieram acompanhados de análises que apontam para a necessidade de reação rápida das vendas locais para restaurar a rentabilidade, conforme documento enviado ao mercado nesta terça-feira (28).
Queda nos números e dados oficiais
O lucro líquido da BYD no primeiro trimestre caiu 55,4% em relação ao ano anterior, para 4,1 bilhões de yuans, aprofundando a queda de 38,2% registrada no trimestre anterior. A receita recuou 11,8%, para 150,2 bilhões de yuans, estendendo a sequência de retração para o terceiro trimestre consecutivo.
As vendas totais da BYD caíram pelo sétimo mês consecutivo em março, mesmo com crescimento consistente nas remessas para o exterior, o que mostra uma divergência entre mercado doméstico e demanda internacional.
Concorrência crescente e impacto das políticas
A BYD, conhecida por modelos mais acessíveis, com preços abaixo de 150 mil yuans, enfrenta pressão de rivais como Geely e Leapmotor, que ampliam ofertas no segmento de entrada. A pressão aumentou à medida que a China reduz os subsídios de troca para carros elétricos de entrada e híbridos plug-in, afetando margens e volumes.
Na visão de especialistas, a recuperação passa por retomada das vendas internas, já que o crescimento das exportações pode não ser suficiente para compensar totalmente a fraqueza doméstica, caso as tendências atuais persistam.
Estratégia internacional e aposta em tecnologia
Com vendas internas em desaceleração, a BYD está mirando agressivamente os mercados internacionais, focando em tecnologia avançada e na localização da produção para ganhar participação fora da China.
Em busca de recuperar vantagem tecnológica, a montadora está investindo em tecnologia de carregamento ultrarrápido, com o objetivo de atrair motoristas fiéis a carros a gasolina, reduzindo preocupações sobre o tempo de recarga. A empresa também iniciou a pré-venda do SUV elétrico de grande porte Datang durante o Salão do Automóvel de Pequim, mirando o segmento premium e concorrência com marcas europeias de luxo.
Projeções e opiniões de mercado
Segundo Eugene Hsiao, chefe de estratégia de ações da China na Macquarie Capital, “A BYD precisa que os volumes de vendas domésticas ganhem força sequencialmente no segundo trimestre e que haja uma recuperação mais sustentada e de participação de mercado no terceiro trimestre para que o lucro geral melhore“.
Vincent Sun, analista da Morningstar, projetou que “as exportações da BYD devem crescer entre 25% e 30% neste ano, enquanto as vendas totais de veículos devem avançar cerca de 12%“. A BYD afirmou ainda estar confiante em atingir sua meta de vendas no exterior de 1,5 milhão de veículos até 2026, ou até mais, o que implicaria crescimento superior a 40% em relação a 2025.
No curto prazo, a combinação de ajuste de preços, inovação em recarga e expansão internacional será decisiva para que a BYD reverta a queda de lucro e recupere participação no mercado chinês.