Carros chineses ampliam presença no Brasil, exportações sobem 88,2% em julho de 2026 e importações brasileiras dobram, BYD e Geely aceleram expansão

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Mercado doméstico fraco empurra carros chineses para exportação, com alta de 88,2% em julho e participação crescente no Brasil, enquanto montadoras buscam produção global

Carros chineses avançam em mercados estrangeiros diante da queda das vendas na China, e fabricantes aceleram remessas e investimentos fora do país.

No Brasil, a presença das marcas chinesas já aparece em números expressivos, com forte crescimento nas importações e nos emplacamentos de modelos eletrificados.

conforme informação divulgada pelo g1

Queda no mercado interno chinês

Dados da Associação de Automóveis de Passeio da China, CPCA, mostram que julho de 2026 foi o décimo mês consecutivo de queda nas vendas no mercado doméstico, com recuo de 21,1% em relação ao mesmo mês do ano passado, para 1,47 milhão de veículos.

Nos primeiros sete meses do ano, as vendas internas acumulam queda de 20,5%, o que equivale a cerca de 2,65 milhões de unidades a menos do que no mesmo período de 2025, segundo a CPCA. O secretário-geral da CPCA, Cui Dongshu, atribui parte do enfraquecimento ao aumento dos preços dos combustíveis, que prejudicou especialmente os veículos movidos a gasolina, e à perda de força na demanda por sedãs de entrada.

Exportações em alta, eletrificados ganham espaço

Enquanto o consumo interno recua, as exportações chinesas disparam, com alta de 88,2% em julho, para 923 mil veículos, segundo a CPCA. No segmento de veículos eletrificados, as remessas externas cresceram ainda mais, com os veículos elétricos e híbridos plug-in subindo 147,8% em julho, enquanto as vendas desses modelos no mercado doméstico recuaram 3,9%.

Marcas como a BYD, maior fabricante mundial de veículos elétricos, registraram recorde de remessas internacionais em julho, e ajudaram a sustentar o crescimento global das vendas da empresa, segundo relatos do setor.

Impacto e números no Brasil

O movimento de expansão das fabricantes chinesas já tem reflexo direto no Brasil. Entre janeiro e julho de 2026, o país importou 344,1 mil veículos, alta de 25,7% em relação ao mesmo período de 2025, e mais de 180 mil desses veículos vieram da China, o que corresponde a 52,4% de todos os veículos importados pelo Brasil no período, segundo dados citados pela Anfavea.

As importações de veículos chineses cresceram 105,4% no acumulado do ano, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea. Ao mesmo tempo, a adoção de modelos eletrificados no mercado brasileiro avança, com os emplacamentos de carros elétricos e híbridos subindo 120,8% no acumulado até julho, e os eletrificados respondendo por 23,5% dos emplacamentos em julho, a maior participação registrada até então.

Estratégias das montadoras e pressões sobre preços e margens

Para compensar a menor demanda interna e a intensa concorrência no mercado chinês, fabricantes aumentam exportações e buscam produzir mais perto dos consumidores. Um exemplo é a Geely, que fechou acordo com a Ford para produzir SUVs elétricos em uma fábrica na Espanha, facilitando o acesso ao mercado europeu.

Analistas destacam que a competição intensa no mercado chinês pressiona preços e margens. Segundo estudo da Bright Consulting, o preço médio dos veículos zero quilômetro teve queda real de 1,5% em 2026, descontada a inflação. Analistas do Deutsche Bank avaliam que as montadoras devem enfrentar pressão sobre as margens com o aumento das promoções e dos custos de componentes, como baterias de lítio e memórias para semicondutores.

O resultado é um movimento paradoxal, com vendas internas perdendo força justamente quando as empresas aceleram a internacionalização. No Brasil, a chegada planejada de novas marcas chinesas até 2028 e a ampla oferta de veículos eletrificados devem manter a competição elevada e seguir pressionando preços, segundo levantamentos do setor.

Em síntese, a combinação de recuo doméstico, aumento das exportações e maior presença em mercados como o brasileiro coloca os carros chineses em papel crescente no comércio automotivo global, com impactos diretos para consumidores, concorrentes e cadeias de produção.

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