Entenda como a influenciadora pode ter um Cadillac Escalade no país por meio da importação independente, quais são os custos estimados de R$ 2,1 milhões, a participação do Ibama e do Denatran, e as limitações de garantia
A presença de um Cadillac Escalade na garagem da influenciadora chamou atenção porque a marca ainda não vende veículos no Brasil, e deve voltar ao mercado apenas no último trimestre de 2026, oferecendo só modelos elétricos.
O SUV de luxo foi apreendido nesta quinta-feira (21) quando a influenciadora foi presa por suspeita de lavar dinheiro, além do Escalade foram apreendidos um Mercedes-Benz G63, um Range Rover e um Jeep Commander.
O preço para trazer o carro ao Brasil, segundo importadores consultados pelo g1, parte de R$ 2,1 milhões, e o processo envolve Ibama, Denatran e tributos elevados, conforme informação divulgada pelo g1.
Como funciona a importação independente e o programa Mover
A importação independente permite que pessoas e empresas tragam veículos sem depender da fabricante, desde que a operação seja caracterizada para uso próprio. Essa rota costuma ser usada por quem quer modelos raros ou configurações não oferecidas oficialmente.
O processo segue as regras do programa Mover, e envolve várias etapas, incluindo verificação do estado do veículo no exterior, documentação do comprador, e autorizações ambientais e de trânsito.
Na prática, a alfândega costuma aceitar carros com baixa quilometragem como novos, em torno de 300 km, e em alguns países o veículo pode estar emplacado na fábrica, o que dificulta a operação.
Exigências do Ibama e do Denatran para liberar o veículo
O Ibama precisa emitir a Licença de Importação, avaliando emissões e ruído, e o Denatran emite o Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito, o CAT, para atestar conformidade com normas brasileiras.
Como explicou um especialista ouvido na reportagem, “Os carros a diesel é que demandam mais atenção. Eles precisam atender à legislação mais recente de emissões. Caso contrário, o Ibama poderia barrar”.
Natél Valério, diretor comercial da Direct Imports, afirmou, “Ainda não tivemos nenhum carro barrado por não atender às exigências do Ibama ou do Denatran”, e também destacou que “São muitas etapas e documentos. Por isso, os clientes buscam nossa assessoria e, muitas vezes, optam por fazer a operação pela nossa empresa. Isso agiliza a conclusão da compra”.
Custos, prazos e impacto no preço final
Além do preço do veículo em si, há custos de transporte, desembarque, imposto de importação, IPI, ICMS, taxas aduaneiras e documentação, que elevam muito o valor final. Para um veículo de US$ 100 mil, “as taxas de aduana e transporte podem, somadas, ficar entre R$ 80 mil e R$ 120 mil”.
Segundo importadores, é comum que o preço praticamente dobre depois de somados tributos e frete, por isso um Escalade pode custar algo em torno de R$ 2,1 milhões no Brasil, dependendo da configuração e do câmbio.
Se o carro estiver pronto no país de origem, todo o trâmite pode levar até 90 dias, sem contar eventual demora para peças e manutenção especializada.
Garantia, manutenção e adaptações necessárias
Um veículo importado de forma independente não fica sob a responsabilidade da fabricante no Brasil, o que pode limitar garantias e complicar acesso a peças. Por exemplo, marcas não são obrigadas a oferecer garantia para modelos de uma marca irmã não vendida oficialmente no país.
Componentes de alta tecnologia podem ser afetados pelo combustível brasileiro, que contém cerca de 30% de etanol, e ajustes de suspensão podem não estar pensados para algumas vias brasileiras, aumentando custo e complexidade da manutenção.
A Direct Imports afirma que ajuda clientes na importação de peças, e que “Em até 30 dias, é possível que o componente chegue ao Brasil”, segundo a fonte citada na reportagem.
Em resumo, a presença de um Cadillac Escalade na garagem de uma influenciadora pode ser explicada pela importação independente, que é legal, mas envolve muitas etapas, riscos, tributos altos, e limitações de suporte técnico e garantia no país.