O governo renovou a cota de importação de carros elétricos sem imposto para evitar alta de preços e favorecer o consumidor, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
A medida, anunciada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, libera até US$ 463 milhões em importações sem imposto por seis meses, a partir de 1º de julho de 2026.
A decisão, tomada em ano eleitoral, gerou reação da indústria nacional e de fabricantes, que afirmam prejuízos e falta de consulta ao setor, conforme informação divulgada pelo MDIC e por nota da Anfavea.
O que decidiu o Gecex e como funciona a cota
O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, Gecex, aprovou a renovação da cota que permite a entrada de kits e veículos semimontados e desmontados sem pagamento de imposto de importação.
O limite definido é de US$ 463 milhões para o período de seis meses, com início em 1º de julho de 2026, e abrange veículos montados no Brasil, chamados CKD, e semimontados, chamados SKD.
Argumento do governo e falas do ministro
O ministro Márcio Fernando Elias Rosa afirmou que a decisão visa garantir “melhores preços” e favorecer o consumidor e o mercado, sem intenção de prejudicar a produção nacional.
Em entrevista ao programa “Bom dia, Ministro”, da EBC, o ministro disse, “O governo federal tomou a decisão ontem [terça] não foi para causar danos para a produção indústria nacional, mas foi para favorecer sobretudo o consumidor, o mercado. E não ignorando que temos de ter uma série de medidas para acomodar todos os interesses, que são legítimos”.
Ele também destacou, “Precisamos garantir os melhores preços aos consumidores, na medida do possível. A indústria [automotiva] é essencial ao país, são mais de 110 mil empregos diretos”, acrescentou o ministro do Desenvolvimento.
Reação das montadoras e da Anfavea
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea, criticou a medida, afirmando que ela é “contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças“.
Em nota, a entidade também declarou, “A decisão, tomada sem consulta ao setor produtivo, altera de forma intempestiva uma política definida pelo próprio Governo Federal, que teve como objetivo combinar a expansão da eletromobilidade no Brasil com a atração de investimentos produtivos de longo prazo para o país”.
A Anfavea lembrou ainda que “As cotas para importação de kits de veículos elétricos terminaram em fevereiro de 2026, conforme definido no ano passado pelo governo após longo debate com o setor produtivo”.
Impacto no mercado e próximos passos
Para o governo, a liberação temporária da cota de importação de carros elétricos sem imposto pode impedir aumento de preços dos modelos elétricos no país, enquanto montadoras estrangeiras como BYD e Geely já iniciam projetos para produzir no Brasil.
Do lado industrial, a crítica é que a medida, tomada em ano eleitoral e sem consulta ampla, pode desincentivar investimentos produtivos locais, conforme a Anfavea.
O tema deve seguir em debate entre governo, setor automotivo e representantes de trabalhadores, com atenção ao cronograma da cota e a possíveis medidas de apoio à cadeia produtiva nacional.