Atualização do Departamento de Guerra inclui 188 empresas, entre Baidu, Alibaba, BYD e fabricantes de chips, robots e biotecnologia, com impacto em contratos do governo americano
O Departamento de Guerra dos Estados Unidos atualizou sua lista e passou a incluir 188 empresas que, segundo o governo americano, colaboram com forças armadas chinesas.
A mudança traz nomes do setor de tecnologia, como o buscador Baidu, a varejista Alibaba, a montadora BYD e fabricantes de chips e robôs, além de empresas de biotecnologia e telecomunicações.
Essas companhias ficarão impedidas de firmar contratos diretos com o Departamento de Guerra a partir do final de junho, com restrições adicionais previstas até 2027, conforme informação divulgada pela Reuters.
Quem entrou na lista e por que
A atualização eleva para 188 empresas o total de companhias que, de acordo com o documento, “se qualificam para a designação de ‘empresas militares chinesas'” e operam nos Estados Unidos.
Entre os novos nomes estão o buscador Baidu, as fabricantes de robôs Unitree e Robosense Technology, a gigante de comércio eletrônico Alibaba, e fabricantes de chips como CXMT e YMTC.
O documento também incluiu a montadora BYD, a empresa de biotecnologia WuXi AppTec e a fabricante de equipamentos de telecomunicações Baicells, ampliando a presença de tecnologias civis apontadas como vinculadas a aplicações militares.
Implicações para contratos e compras
Por força de uma lei recente, a partir do final de junho o Departamento de Guerra não poderá contratar diretamente com empresas presentes na lista.
Além disso, a partir de 2027, o órgão estará proibido de adquirir produtos e serviços dessas empresas por meio de terceiros, o que pode reduzir opções de fornecedores e complicar cadeias de suprimento.
Embora o documento não imponha sanções econômicas automáticas, a inclusão na lista tende a transmitir uma mensagem negativa a fornecedores e parceiros do governo americano, e pode gerar perdas comerciais concretas.
Reações das empresas e da China
As companhias mencionadas contestaram a decisão, e várias negaram qualquer ligação com as Forças Armadas chinesas.
A BYD afirmou acreditar que sua inclusão “carece de fundamento factual”, segundo a Reuters. O Alibaba declarou que “não é uma companhia militar chinesa nem faz parte de qualquer estratégia de fusão entre setores civil e militar” e pretende adotar medidas legais para contestar a classificação, segundo a mesma agência.
A WuXi AppTec também considerou a decisão equivocada e informou que tomará medidas para reverter a designação, e a Baidu rejeitou “categoricamente” a inclusão, afirmando que a alegação de que seria uma empresa militar é “totalmente infundada”.
A Embaixada da China nos Estados Unidos declarou que o governo chinês se opõe à “criação de listas discriminatórias para perseguir empresas chinesas” e afirmou que as empresas listadas cumprem leis e regulações locais, pedindo que “os EUA devem cessar essa prática errônea e criar um ambiente justo, equitativo e não discriminatório para as empresas chinesas”, segundo a Reuters.
Contexto político e próximos passos
A atualização da lista sai menos de um mês após o encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping em Pequim, um encontro que teve troca de elogios, mas terminou com impasses em temas sensíveis como Taiwan.
O Departamento de Guerra informou que as empresas poderão solicitar a remoção da lista, o que deverá envolver processos administrativos e avaliações futuras.
Especialistas e fornecedores do governo acompanharão os desdobramentos, porque as restrições podem afetar contratos, cadeias de tecnologia e decisões de parceiros internacionais, enquanto as empresas listadas analisam recursos legais e medidas para reverter as designações.