Programa Move Aplicativos libera financiamento para motoristas e taxistas, com linha de R$ 30 bilhões, juros entre 11,5% e 12,6% ao ano, e regras de elegibilidade
A partir desta sexta-feira (19), motoristas cadastrados em plataformas e que atendem aos critérios do Move Brasil Táxi e Aplicativos já podem procurar bancos para pedir crédito destinado à compra de veículo zero km.
O programa destina uma linha de até R$ 150 mil por veículo e promete juros menores, com condições que podem reduzir em milhares de reais o custo final da compra.
Para entender quem tem direito, quais documentos apresentar e como aumentar as chances de aprovação, confira as orientações e simulações, conforme informação divulgada pelo g1.
Quem pode pedir o financiamento e quais são as regras
O Move Aplicativos exige que o motorista tenha mais de 12 meses na plataforma e mais de 100 corridas nesse período para ter direito ao programa. A linha de crédito é direcionada a motoristas de aplicativos e taxistas, com limite por veículo de até R$ 150 mil.
A iniciativa do governo disponibiliza R$ 30 bilhões para fomentar a compra de automóveis novos, com condições que, segundo especialistas, podem ser muito vantajosas para quem usa o carro como fonte de renda.
Documentos, comprovação de renda e organização financeira
Como não há holerite tradicional para autônomos, os bancos analisam a movimentação financeira e pedem documentos como declaração do Imposto de Renda, extratos bancários recentes, histórico completo da conta corrente e relatórios de recebimentos emitidos pelas plataformas.
Manter as contas em dia, reduzir dívidas e organizar a documentação facilita a análise de crédito. Segundo o planejador Henrique Soares, é essencial organizar rigorosamente os documentos e regularizar pendências no CPF.
Principais motivos de reprovação e como evitá-los
O mercado identifica reprovações por renda incompatível com o valor solicitado, excesso de endividamento, histórico recente de contas atrasadas e falta ou inconsistência de documentação.
Soares alerta que o planejamento deve incluir custos além da parcela, ele diz, “O ideal é buscar um financiamento que caiba com folga no orçamento, considerando não apenas a parcela, mas também custos como combustível, seguro, manutenção e até períodos de menor faturamento.”
Quanto se pode economizar e pontos contratuais importantes
Segundo o planejador Carlos Castro, “A taxa do programa, entre 11,5% e 12,6% ao ano, é menos da metade da taxa média de mercado para aquisição de veículos para pessoa física”. Na prática, isso pode gerar economia relevante em juros.
Em simulações, um financiamento de 48 parcelas com 50% de entrada para um carro de R$ 150 mil pode reduzir os juros pagos em cerca de R$ 17 mil. Em outro exemplo, a economia no final em juros de um Volkswagen Virtus 170 TSI pode superar R$ 20 mil.
Castro também chama atenção para efeitos da carência, ele explica que a carência de 6 meses ajuda o caixa do motorista no início, “mas os juros incidem sobre o saldo devedor nesse período”, o que pode elevar o custo final quando comparado a uma operação sem carência.
Direito do consumidor e recomendações finais
O advogado Jefferson Leão lembra que o consumidor tem direito à informação clara sobre todos os elementos do financiamento, ele afirma, “O consumidor tem direito à informação adequada e clara sobre todos os elementos relevantes da contratação, especialmente preço, encargos, juros, custo efetivo total e consequências econômicas do negócio”.
Para aumentar as chances de aprovação, comece pelo próprio banco com o qual você já tem relacionamento, reúna comprovantes de renda e extratos, reduza dívidas, e, sempre que possível, ofereça uma entrada maior para diminuir o principal e o custo total.
Por fim, especialistas reforçam que a aprovação é apenas o primeiro passo, Soares resume, “O mais importante é garantir que essa dívida seja sustentável ao longo do tempo”.