Volkswagen cortar até 100 mil empregos, fechar quatro fábricas na Alemanha e buscar economizar 6 bilhões de euros até 2030, diz Financial Times

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Plano da Volkswagen cortar até 100 mil empregos inclui fechamento de unidades em Emden, Zwickau, Hanover e Neckarsulm, e prevê economia de 6 bilhões de euros por ano até 2030, diz Financial Times

A Volkswagen prepara uma reestruturação ampliada que pode afetar uma parcela significativa do seu quadro global de funcionários, num movimento para reduzir custos e reforçar caixa.

A proposta, que abrange o encerramento da produção em quatro fábricas na Alemanha, é parte de um esforço do grupo para concentrar-se no negócio principal de automóveis e vender ativos não essenciais.

Se confirmado, o plano eliminará quase um em cada seis dos cerca de 625 mil empregos da empresa no mundo, tornando-se um dos maiores programas de demissão da história da indústria automobilística, conforme informação divulgada pelo Financial Times.

Cortes e fábricas afetadas

A Volkswagen planeja cortar até 100 mil empregos e encerrar a produção em quatro fábricas na Alemanha, publicou o jornal inglês Financial Times nesta sexta-feira (26). As unidades apontadas incluem as fábricas da Volkswagen em Emden, Zwickau e Hanover, e a fábrica da Audi em Neckarsulm.

No passado, a empresa já havia fechado uma pequena fábrica em Dresden, e busca um comprador para sua unidade em Osnabrück, cuja produção deve ser encerrada no próximo ano. Em um ponto sensível das negociações, a montadora chegou a negociar a venda da fábrica com uma empresa ligada ao sistema de defesa antimísseis Iron Dome.

Razões e contexto

As novas medidas de reestruturação foram anunciadas logo após a venda da divisão de motores marítimos Everllence para a gestora americana Bain Capital, operação que deve render 7,4 bilhões de euros à companhia.

O chefe-executivo Oliver Blume vem promovendo um enxugamento da estrutura do grupo para concentrar esforços no negócio de automóveis, e a montadora afirma que tarifas dos Estados Unidos, o conflito no Oriente Médio e o agravamento da situação no mercado chinês tornaram necessárias novas ações.

As montadoras europeias vêm perdendo espaço para as fabricantes chinesas, que responderam por quase 10% dos veículos novos vendidos na Europa nos cinco primeiros meses deste ano, segundo a associação europeia da indústria automobilística, Acea.

Impacto, metas financeiras e próximos passos

A Volkswagen, sediada em Wolfsburg, já havia anunciado a intenção de eliminar 50 mil empregos na Alemanha até o fim de 2030 e reduzir em 500 mil veículos sua capacidade de produção no país, medidas que agora podem ser ampliadas.

Se implementado em sua totalidade, o plano pode se tornar um dos maiores programas de demissão da história, superando os 74 mil empregos cortados pela General Motors nos anos 1990 e os 60 mil eliminados pela IBM em 1993, conforme a reportagem.

A empresa pretende economizar 6 bilhões de euros por ano até 2030 com a reestruturação e afirmou que a redução de custos continua sendo “a área em que há maior necessidade de ação”. Blume já afirmou que fechar fábricas definitivamente não era sua opção preferida, e que a empresa buscava soluções “inteligentes”, como produzir nesses locais modelos chineses da Volkswagen ou transferi-las para outras montadoras ou empresas do setor de defesa.

Segundo a companhia, os assuntos em questão são discutidos e aprovados pelos órgãos competentes de governança, e “não vamos antecipar esse processo”, afirmou a empresa, ressaltando que negociações com sindicatos e ajustes podem alterar o escopo final das medidas.

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