A Volkswagen negocia uma reestruturação de grande alcance que pode levar ao fim de operações em quatro fábricas na Alemanha e ao corte de até 100 mil empregos, em meio à pressão por redução de custos e perda de competitividade.
O plano, se aprovado, mexe com cidades industriais e com o modelo de governança da montadora, que inclui representantes das famílias controladoras, dos sindicatos e do governo regional.
Trabalhadores saíram às ruas em protestos, e a direção argumenta que a readequação é necessária para garantir a sobrevivência da empresa no cenário global automotivo.
conforme informação divulgada pela Reuters, pela revista Spiegel, pelo sindicato IG Metall, pela revista WirtschaftsWoche e por dados da Mobility Global analisados pela Reuters.
O que está em discussão
A gestão da Volkswagen estuda fechar as fábricas de Hanover, Emden, Zwickau e Neckarsulm, em um plano que poderia resultar em até 100 mil demissões, aproximadamente o dobro do número previsto atualmente.
Segundo a revista Spiegel, a produção nas unidades de Zwickau e Emden seria encerrada gradualmente ao longo dos próximos cinco anos, a fábrica de veículos comerciais de Hanover seguiria o mesmo caminho em 2032, enquanto a unidade da Audi, em Neckarsulm, teria as atividades encerradas em 2034.
O presidente-executivo Oliver Blume precisa convencer os representantes sindicais e os controladores do grupo a aceitarem um programa de cortes mais profundo, que abrange marcas como Audi e Porsche.
Reações, protestos e governança
Em Wolfsburg, trabalhadores protestavam com apitos, bandeiras vermelhas do sindicato e faixas, em uma delas lia-se a mensagem “Gemeinsam stark”, expressão em alemão que significa “fortes juntos”.
O sindicato IG Metall informou que cerca de 400 pessoas participavam do protesto apenas em Wolfsburg. A mobilização reflete a preocupação com empregos e com o compromisso firmado no fim de 2024, quando a empresa se comprometeu a evitar o fechamento de fábricas na Alemanha.
O conselho fiscal da Volkswagen reúne representantes das famílias controladoras, dos sindicatos e do governo do estado da Baixa Saxônia, modelo que costuma tornar decisões complexas e politizadas.
Capacidade produtiva e números que pressionam a decisão
Dados da Mobility Global analisados pela Reuters indicam que as fábricas do grupo Volkswagen na Alemanha deverão operar com 81% da capacidade considerada padrão em 2026. A previsão é que esse índice caia para 73% até o fim da década.
Entre as unidades ameaçadas, Zwickau aparece com maior utilização prevista para 2026, 88% da capacidade, mas segundo as projeções esse percentual pode recuar para apenas 42% até 2030.
Além da capacidade ociosa, a Volkswagen cita custos elevados, concorrência crescente de fabricantes chineses e tarifas de importação dos Estados Unidos como fatores que pressionam a competitividade do grupo.
Alternativas e próximos passos
A empresa tem buscado alternativas, incluindo parcerias e mudanças na produção, como avaliar um parceiro da indústria de defesa para a fábrica de Osnabrück e a possibilidade de produzir na Alemanha modelos inicialmente desenvolvidos para a China.
Em nota, um porta-voz da Volkswagen afirmou que a companhia compartilha das preocupações dos trabalhadores sobre o futuro, mas considera necessária uma reestruturação para preservar a competitividade.
A decisão final depende da reunião do conselho fiscal e do consenso entre sindicatos, famílias controladoras e governo regional, etapa que definirá se o plano de cortes e fechamento avança, e como serão implementadas as possíveis mudanças.
Enquanto isso, a discussão sobre a estratégia da Volkswagen, incluindo a expressão “Volkswagen demissões 100 mil e fechamento de fábricas na Alemanha”, permanece no centro do debate sobre futuro da indústria automobilística alemã.