A Stellantis deve concentrar seus principais aportes nas quatro marcas mais populares e rentáveis do grupo, com foco em consolidar lançamentos e tecnologias, segundo fontes da Reuters.
O CEO Antonio Filosa deve detalhar o plano de longo prazo no dia 21 de maio, explicando como os investimentos da Stellantis serão priorizados e como as demais marcas serão mantidas, usando tecnologias comuns.
Fontes ouvidas pela agência dizem que Fiat, Jeep, Peugeot e Ram receberão a maior parte dos recursos, enquanto outras marcas seguirão operando e terão acesso às tecnologias das líderes, conforme informação divulgada pela Reuters.
Por que Fiat, Jeep, Peugeot e Ram serão prioritárias
A escolha por Fiat, Jeep, Peugeot e Ram se apoia na combinação de volume, reconhecimento de mercado e margem, razões que explicam o foco dos investimentos da Stellantis nas marcas mais populares e rentáveis.
Segundo as fontes, essas quatro marcas também servirão como núcleo de desenvolvimento tecnológico, com outras marcas do grupo reutilizando plataformas e soluções para reduzir custos e acelerar lançamentos.
Resultados financeiros recentes e baixas contábeis
A Stellantis informou prejuízo líquido de 25,4 bilhões de euros em 2025 (R$ 153,9 bilhões na cotação atual), um resultado que se concentrou no segundo semestre por causa de despesas para rever projeções para carros elétricos.
Ao longo do ano passado, a companhia registrou 25,4 bilhões de euros (R$ 154 bilhões) em baixas contábeis, e só no segundo semestre as baixas foram de 22,2 bilhões de euros (R$ 134,5 bilhões), pressão que afetou o desempenho das ações.
No mesmo período, a empresa registrou prejuízo operacional ajustado de 1,38 bilhão de euros (R$ 8,4 bilhões), indicador que mostra o desempenho das operações sem eventos extraordinários.
Impacto da transição para veículos elétricos
A decisão de redirecionar aportes ocorre em um momento de desaceleração do mercado de veículos elétricos, que levou a empresa a rever projeções e registrar custos relevantes.
Como afirmou Antonio Filosa, “Nossos resultados completos de 2025 refletem o custo de superestimar o ritmo da transição energética e a necessidade de reorientar o negócio, garantindo aos clientes a liberdade de escolher entre tecnologias elétricas, híbridas e a combustão”, frase usada pela direção para justificar ajustes na estratégia e nos investimentos da Stellantis.
Apesar das perdas, a receita da companhia cresceu 10% e somou 79,25 bilhões de euros (R$ 480,3 bilhões) entre julho e dezembro, com alta de 11% nas entregas de veículos, sinalizando recuperação em receitas, mesmo com resultado líquido negativo.
O que esperar do plano anunciado em 21 de maio
No dia 21 de maio, a administração deve apresentar um plano de longo prazo que explicará como serão distribuídos os investimentos da Stellantis e como a empresa pretende recuperar margens e fluxo de caixa.
Analistas, como os do Citi, têm classificado os resultados recentes como um “ponto baixo evidente” para a Stellantis, e avaliam que a recuperação é possível, mas que outras montadoras na Europa e nos Estados Unidos parecem menos arriscadas no momento.
A empresa manteve projeções para 2026, esperando crescimento moderado da receita e margem operacional baixa, positiva, e prevê que o fluxo de caixa livre, o dinheiro que sobra após os investimentos, só voltará a ficar positivo em 2027.